
Compromisso de 40 anos com o desenvolvimento sustentável
A oliveira ganhou lugar de destaque, pela simbologia. O mesmo aconteceu com os sobreiros. Juntaram-se os carvalhos, os medronheiros e uma mão cheia de pés de alecrim e alfazema. Para a zona da pérgola foram reservadas o limoeiro, as laranjeiras e os mirtilos. Quando derem fruto, podem ser consumidos pelos 79 colaboradores do Centro Tecnológico da Cerâmica e do Vidro (CTCV) instalados no iParque. Ontem, alguns participaram na plantação, ajudados pelos funcionários do viveiro de Miranda do Corvo, que forneceu as árvores. Um momento simbólico, integrado nas comemorações dos 40 anos. «É a melhor altura para plantar árvores», diz Baio Dias, diretor-geral do CTCV. 40 exemplares de espécies autóctones, plantas aromáticas e árvores de fruto que celebram os 40 anos e preparam o futuro, reforçando a preocupação com a sustentabilidade e a defesa da biodiversidade. Valores que, de resto, são parceiros de sempre, nestes 40 anos do CTCV, de braço dado com a inovação e com o tecido industrial.
Um projeto que começou no Loreto, cresceu e ganhou maturidade no iParque, a partir de 2010, para onde foram transferidos os laboratórios e serviços de consultoria, permitindo que as diferentes áreas ganhassem espaço e futuro.
Numa apresentação sumária deste trajeto, Baio Dias refere os laboratórios, onde são feitos ensaios com materiais cerâmicos, vidro, argamassa, pedra, tudo o que sejam «produtos naturais não metálicos». Ensaios que contemplam produtos acabados e matérias-primas, explica. Na área da “amostragem”, dominam as emissões, líquidas ou gasosas, produzidas pelas empresas industriais, que é necessário monitorizar, o mesmo acontecendo com o ruído. Um cuidar do ambiente que não esquece as pessoas, através de uma área dedicada à saúde e segurança, que avalia as condições de trabalho, com supervisão de poeiras, químicos, vibrações, «tudo o que pode afetar a saúde», diz.
Com uma importância particular, Baio Dias refere o laboratório de monitorização das condições de utilização da energia. Importância que se percebe rapidamente quando refere que a energia representa «40% dos custos das empresas cerâmicas». Para quem tem dúvidas, basta dizer que a cozedura do tijolo se faz a 1.000º, os pavimentos cerâmicos oscilam entre os 1.000/1.200, as porcelanas evoluem para os 1.380º e o vidro “pede” 1.400/1.500º.
CTCV ocupa espaço de referência no Sistema Nacional de Inovação, garantindo apoio ao tecido empresarial
«Também damos apoio técnico às empresas», diz o diretor. Uma resposta técnica, com apoio laboratorial, que «promove a otimização do processo produtivo», desde a matéria-prima ao produto final. «Temos equipas permanentes no exterior, no apoio às empresas», adianta. Por detrás, como plataforma essencial, está a área da inovação, onde o CTCV «desenvolve novos produtos e novas funcionalidades», em parceria com universidades, outros centros de saber e sobretudo empresas. Uma área onde as expectativas são «muito grandes», mas os resultados nem sempre compensam. Baio Dias dá o exemplo de um projeto de “incorporação” de funções fotovoltaicas no revestimento cerâmico e telhado de edifícios. O objetivo era rentabilizar os produtos cerâmicos com aproveitamento da energia solar. A tecnologia resultou, mas o mercado não correspondeu. «É um mercado 100% chinês! Na área das energias renováveis não temos hipóteses!», desabafa.
Com bons resultados está a modelação de peças. «Temos feito um grande trabalho», diz, lembrando que os moldes, tradicionalmente são feitos manualmente e com meios informáticos, através da digitalização dos processos, o CTCV garante resposta às empresas. Aliás, esta dinâmica de ligação às empresas é permanente e transversal. «Há empresas com quem trabalhamos, desenvolvemos projetos e outras que adquirem tecnologia», faz notar, destacando que a «produção de conhecimento e a transferência de tecnologia» é um dos pilares do CTCV.
A formação é outro dos vetores, enquadrada no sistema de pós-graduação, sobretudo na área da tecnologia cerâmica. Este ano avançou a área de tecnologia de recursos minerais.











