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Biotério abre portas para se ver como se cuida dos animais

Semana Aberta sobre Experimentação Animal em Portugal tem como objetivo de desmistificar o preconceito de que os animais de laboratório são sempre sacrificados, além de mostrar os resultados da investigação

Desmistificar os preconceitos relativamente à utilização de animais na investigação biomédica e perceber que a experimentação animal contribui para o conhecimento das diferentes doenças e para a identificação de novos tratamentos é o objetivo da Semana Aberta sobre a Experimentação Animal em Portugal, promovida pela European Animal Research Association (EARA) e que está a decorrer até hoje (5 de dezembro).

Nesse âmbito, a equipa de coordenação do Biotério do Instituto de Investigação Clínica e Biomédica de Coimbra (iCBR) da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, liderada por Ana Raquel Santiago, promoveu uma visita, para a qual convidou a Associação de Diabéticos da Zona Centro, tendo em conta que parte da investigação se faz também relativamente à Diabetes, à forma como se desenvolve a doença e ainda investigar no sentido de encontrar novas formas de tratamento.

Ana Calado, médica veterinária e membro do Órgão Responsável pelo Bem-Estar dos Animais (ORBEA) do iCBR, explicou como se faz a acomodação dos animais de laboratório, referindo que é condição ‘sine qua non’ cumprir os requisitos da lei de proteção dos animais para fins científicos. E isso implica ter cuidados especiais com o microambiente onde estão instalados que prevê «desde a ventilação das gaiolas à temperatura ambiente e ao enriquecimento ambiental para o bem-estar do animal, mas também providenciar água e comida adequada e limpeza». De resto, há outras premissas que Ana Calado considera, sobretudo no que diz respeito às rotinas do cuidado. «É importante ver a carinha deles para perceber se estão bem, se têm dor ou algum desconforto».

Já Ângelo Rosado, investigador do iCBR, acrescentou que os cuidados com os animais de laboratório implicam também uma seleção criteriosa dos materiais utilizados nas gaiolas. Deu como exemplo, a utilização do carolo de milho que, por ser macio «é ideal para proteger as patinhas dos animais que, por serem diabéticos, também são muito sensíveis, além de ser de fácil absorção». Todos estes cuidados devem obedecer à política dos três R’s, os valores éticos que regem a utilização dos animais como o replacement (substituição), reduction (redução) e refinement (refinamento).

"É importante ver a carinha deles para perceber se estão bem, se têm dor ou algum desconforto"

Seguiu-se depois uma pequena explicação sobre a doença em causa, a diabetes, em que a docente e investigadora do iCBR, Cristina Sena, falou da prevalência da doença em Portugal, que ronda os 14,1% e que é mais alta do que a média europeia.

«Por ser uma doença silenciosa, é fundamental o trabalho da ADZC na sensibilização com as campanhas de prevenção. Da parte da investigação realizada no iCBR, Cristina Sena falou ainda do resultado do trabalho desenvolvido, destacando, por exemplo, a importância do respeito pelos ciclos circadianos, com conselhos bastante práticos: «dormir bem, não menos de seis horas nem mais de 12, respeitar uma janela alimentar de 12 horas, para dar tempo ao jejum noturno de oito horas para que o organismo possa utilizar as reservas».

Uma intervenção bastante elogiada pelos membros da associação, nomeadamente por José Cação, presidente da direção, que referiu que «em 40 anos com a doen­ça, nunca teve uma explicação tão assertiva e útil como a da Dra. Cristina Sena».

A visita terminou com uma passagem por diferentes espaços do biotério, nomeadamente onde se realizam os ensaios científicos com os animais, e os espaços de acomodação, onde só foi possível entrar depois de devidamente equipados.

Dezembro 5, 2025 . 07:40

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