
Quadrados solidários da comunidade de Góis numa árvore de Natal gigante
Dentro de dias corta-se a fita e dá-se por inaugurada uma árvore de Natal especial que nasceu por força da vontade do Clube da Malha e dos Lavores mas que é muito mais do que uma atração de Natal em Góis. É o reflexo da união da comunidade em torno de um projeto que começou muito pequenino, pelo convívio e pelo combate ao isolamento, e cresceu atingindo uma dimensão que as suas promotoras estavam longe de imaginar.
A primeira Árvore de Natal Comunitária de Góis nasceu no ano passado, primeiramente com o objetivo de atingir três metros de altura, mas chegando aos sete e meio. Este ano o objetivo, mais uma vez, foi largamente superado e se as suas promotoras se propuseram a fazê-la crescer mais um metro, a verdade é que os quadrados solidários têm sido tantos que à
Árvore de Natal principal junta-se um presépio, também ele “vestido” com quadrados de lã, bem como uma mini-árvore solidária na aldeia de Cortes.
A grande dinamizadora deste projeto comunitário tem sido Dominique Brito, técnica superior na Câmara de Góis, que lançou o Clube da Malha e dos Lavores - que tem polo em Góis e já tem um outro em Cortes - e, nesse seguimento, se propôs no ano passado a fazer com as 18 senhoras do clube uma árvore forrada a quadrados de lã.
«A proposta feita ao executivo municipal eram três metros de altura, conseguimos sete metros e meio», conta.
No ano passado árvore de Natal teve 7,5 metros de altura
Com orgulho, recorda os números alcançados no ano passado: fizeram-se 1.345 quadrados de lã com 20 centímetros de lado. E o feito foi alcançado porque no “passa palavra” em vez de 18 participantes se reuniram à volta do projeto 228 voluntários - a mais nova com dez anos e a mais velha com 94 - e cinco IPSS do concelho. «Foi um sucesso», conta, recordando ainda que a organização chegou a receber quadrados enviados por correio do Luxemburgo, Lisboa e Coimbra.
Este ano, e com o objetivo de chegar aos 8,5 metros de altura da árvore, foram calculados como necessários um pouco mais de 600 quadrados para juntar aos 1.345 do ano passado, mas a vários dias ainda da inauguração da árvore, contabilizavam-se já 755 novos quadrados de lã feitos por 123 voluntários.
O município de Góis cedeu o fio, num total de 129 novelos entregues e transformados com recurso às agulhas. E os quadrados acabaram por aparecer, das mãos da comunidade local, mas também de outras comunidades, como Arganil, Penacova ou Lousã.

Sentadas à mesa, um grupo de mulheres cosia, já na reta final do tempo, os últimos quadrados de lã que iriam ainda forrar a árvore instalada no Largo Francisco Inácio Dias Nogueira, em Góis. Algumas a fazerem a sua estreia no clube, outras já vindas do ano passado, mas todas mostrando surpresa com a dimensão que o projeto ganhou em 2024. «Foi uma ideia espetacular, conseguiu levar Góis à comunicação social», afirmava Maria José, conhecida por Zezita, «desde a primeira hora no clube da malha», enquanto Manuela Marques comentava como a árvore «superou as expectativas».
Ana Maria, de Góis «nascida e criada», refere como este projeto «é especial», permitindo «momentos muito gratificantes». Já a estreante Ana Silva, de Lisboa mas com casa em Góis, fala nos «dez quadrados feitos com muito amor e carinho» este ano, depois de no ano passado já não ter chegado a tempo de participar no projeto.
A árvore tem sido um sucesso de Natal, mas a verdade é que o convívio que permite «também é muito bom», como diz Alice Moutinho, lisboeta a passar a sua reforma em Góis que encontrou no Clube da Malha e dos Lavores algo que a mantém «ativa».
A técnica Dominique Brito destaca este efeito “terapêutico” que o Clube da Malha tem em pessoas que já tiveram uma vida ativa e agora precisam de se sentir ativas de novo. «Através das malhas, as pessoas interagem e criam laços entre si, fortalecem os laços comunitários e combatem o isolamento», comenta, destacando que no clube «não há obrigatoriedade nem mensalidade para participar». O que há é vontade de estar e fazer acontecer alguma coisa e a Árvore de Natal Solidária é disso exemplo.
Na próxima sexta-feira, acendem-se as luzes e a árvore feita pela comunidade com quadrados solidários surge com todo o seu esplendor para ser visitada nesta quadra de Natal
Município empenhado em combater o isolamento e criar identidade
Rui Sampaio, presidente da Câmara de Góis, foi o primeiro a dizer “sim” ao apoio ao projeto, depois do sucesso no ano passado em que «excedeu as expectativas». «Manifestaram vontade de continuar e vieram propor que a árvore crescesse um metro, pois o nosso serviço de carpintaria está ao dispor», conta o autarca.
Sem esconder o «problema do envelhecimento» em Góis, onde há «mais de 1.400 pessoas com mais de 65 anos», Rui Sampaio reconhece que «é difícil inverter essa tendência», muito embora o concelho não tenha perdido habitantes nos últimos tempos. Por isso, este Clube da Malha - e outros projetos que o município desenvolve -representa a «valorização do território» e o «combate ao isolamento».
«Envolve as pessoas, aproxima-as, cria identidade da nossa região», afirma o autarca, recordando que é pelos vários projetos desenvolvidos a pensar na população sénior que o município foi recentemente distinguido pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDR Centro) com o selo “Territórios da Longevidade 2024” e com o Prémio Inovação da Longevidade.











