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Jornalismo (re)visto em crónicas de Nobre-Correia

“A Mutação Mediática Anunciada” reúne textos publicados pelo antigo professor visitante da Universidade de Coimbra em três jornais nacionais

Já está nas bancas o mais recente livro de autoria de J.-Nobre-Correia, mediólogo e politólogo, que reúne quase 800 crónicas publicadas nos jornais Público, Expresso e Diário de Notícias, numa análise às transformações do jornalismo e dos média ao longo das últimas décadas.

“A Mutação Mediática Anunciada”, com a chancela Editora D’Ideias, apresenta um conjunto de textos, que, na ótica do investigador, antigo assistente da Université Libre de Bruxelles e professor visitante da Universidade de Coimbra, «permite perceber as grandes mutações operadas nestas duas áreas na Europa na viragem do milenário, num quartel situado em fins do século XX e inícios do século XXI».

Como escreve Nobre-Correia no prefácio do livro, foram «anos em que a paisagem mediática foi profundamente reconfigurada e em que o jornalismo foi alvo de um abanão que pôs em questão a(s) maneira(s) de o conceber, quando não a sua própria razão de ser e até mesmo a sua sobrevivência».

Nobre-Correia recorda que, a terminar o ano de 1989, quando se preparava o lançamento do Público, foi convidado a escrever para o jornal, assinando aquela que foi «a primeira crónica periódica da imprensa portuguesa sobre os média e o jornalismo» e que foi publicada durante 10 meses, terminando a colaboração em finais de 1990, altura em que foram dispensados vários colaboradores.

«Após quase oito anos e meio no Expresso, sem uma única semana de ausência, voltei em fevereiro de 2008 à crónica semanal sobre os média no Diário de Notícias», conta.

Livro contém quase 800 crónicas publicadas em vários jornais

“A Mutação Mediática Anunciada” apresenta, então, 792 crónicas semanais sobre os média e jornalismo publicadas durante 17 anos nos três jornais nacionais, com algumas «interrupções». Ou seja, a obra recorda, mais concretamente, 43 crónicas publicadas no Público, entre 6 de março de 1990 e 29 de dezembro de 1990”, com o sobretítulo geral “Comunicação & Média”. As crónicas no Expresso – Mediapolis – são 429 e surgiram entre 8 de janeiro de 1994 e 4 de maio de 2002, enquanto os textos do Diário de Notícias, com o sobretítulo geral “Planeta Média”, foram 320 e publicados de 2 de fevereiro de 2008 a 19 de outubro de 2014.

Ao passar em revista a atualidade dos média e do jornalismo, em três momentos distintos, o investigador considera que muito mudou deste então e nos encontramos «longe dessa fase da história». «Longe, porque a tecnologia e a economia do setor evoluíram a passos largos, provocando convulsões de fundo em termos de proliferação e diversificação dos atores/operadores», sublinha, referindo-se também «a uma enorme concentração em termos de propriedade».

«Encontramo-nos agora numa viragem vertiginosa da história dos média e da informação jornalística, plena de incógnitas», escreve, sem deixar de referir que «é neste contexto geral de profundas mutações que, paralelamente, a democracia tem dado inquietantes provas de vacilar um pouco por toda a parte da Europa», razões, conclui, «para que a pluralidade dos média seja preservada e para que o pluralismo dos factos, das análises e das opiniões seja reforçado.

Novembro 21, 2025 . 09:30

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