
Diagnóstico precoce é determinante no tratamento do cancro da próstata
Porque o cancro da próstata é «o mais comum e a terceira causa de morte em Portugal» entre os homens, nunca é demais reforçar que um diagnóstico precoce pode fazer toda a diferença. «Não conseguimos evitar o cancro da próstata, porém conseguimos “apanhá-lo” a tempo e isso depende do nosso comportamento e da nossa preocupação em ver se está tudo bem», começa por explicar Carlos Rabaça neste que é o mês dedicado à Saúde do Homem.
Apesar das orientações indicarem os 50 como a idade a partir da qual os homens devem realizar determinados exames de controlo, o diretor do Serviço de Urologia no IPO de Coimbra e presidente da Sociedade Portuguesa de Urologia Oncológica, com base na sua prática clínica, aconselha «todos os homens com mais de 40 anos de idade» a procurarem o seu médico. «Começamos a apanhar muitas situações de cancro da próstata em homens com menos de 50 anos e às vezes já muito avançados», refere. Porquê? Porque como é um cancro que, numa fase inicial, não apresenta queixas nem sintomas, acaba por não haver a preocupação por parte dos homens em perceberem se está tudo bem ou não com este órgão do sistema reprodutor masculino.
Carlos Rabaça enaltece o facto dos homens estarem cada vez mais esclarecidos e com menos tabus em relação ao exame do toque retal
Em regra, «os doentes confundem as queixas associadas à hiperplasia benigna da próstata, como urinar com dificuldade, com menos jato, menos pressão, com mais urgência ou sensação de esvaziamento incompleto», como sinónimo de cancro na próstata, e não é verdade, garante o clínico. «São sintomas de uma doença que também tem que ser tratada, mas não é um cancro», explica, alertando que não são as alterações ao nível do trato urinário que indicam a presença de cancro da próstata porque, na sua «evolução natural, os primeiros sintomas a surgirem, se não se fizer nada para o diagnóstico atempado, são as metástases ósseas» e nessa fase a possibilidade de cura está há muito ultrapassada. «Tem tratamento, naturalmente, mas não tem cura» porque para que tal possa acontecer, tem de ser diagnosticado «muitos anos antes de dar sintomas», reforça Carlos Rabaça.
É muito simples estar “um passo à frente”, defende o clínico, apontando a realização «da análise anual a um marcador tumoral que se chama PSA (Antígeno Prostático Específico), aliada a um toque retal, acompanhado, ou não, por um exame de imagem, ecografia ou ressonância». Havendo alguma suspeita, é feita uma biópsia que, se for positiva, permite iniciar um tratamento curativo precoce.
Novembro é o mês da “Saúde do Homem” com objetivo de salvar vidas. IPO alerta de forma mais veemente para a importância da vigilância e rastreio
Podemos questionar: bastará aos homens fazerem análise sanguínea, evitando o toque retal, que continua a motivar, embora cada vez menos, na opinião de Carlos Rabaça, medo de ir ao urologista? A resposta é negativa porque em «18% dos cancros da próstata o PSA está normal» e nestes casos são normalmente os mais agressivos. É, por isso, fundamental, complementar com o toque retal, exame que «não é agradável mas muito útil», e se possível com um exame de imagem.
Embora não haja um rastreio instituído a nível nacional (ver caixilho), acaba por haver cada vez mais um «rastreio oportunístico causado pela preocupação dos próprios doentes», com «as taxas de sobrevida de 10 anos livres de doença superiores a 90%», com os tratamentos a terem cada vez mais em atenção não só a cura mas também «a qualidade da vida do doente».











