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Nascem cerca de 500 bebés prematuros por ano em Coimbra

Associação Bissaynhos assinalou o Dia Mundial da Prematuridade com uma exposição dedicada ao dia a dia da Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais da Maternidade Bissaya Barreto

Chegam antes do tempo, muitos deles com menos de um quilo de peso, mas já com estatuto de pequenos grandes heróis. Na Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais (UCIN) da Maternidade Bissaya Barreto, da Unidade Local de Saúde de Coimbra, são múltiplas as histórias de bebés prematuros que encontram nos “tios de verde” (profissionais de saúde) a dedicação que as famílias levam para a vida e fazem questão em agradecer e reconhecer.

Com o apoio da Associação dos Bissaynhos, o afeto e o apoio são palavras de ordem e, ontem, Dia Mundial da Prematuridade, foi tempo de relembrar que ali o objetivo é sempre garantir aos prematuros «um início forte para um futuro brilhante».

Para celebrar a efeméride, a associação, com sede na Maternidade Bissaya Barreto, organizou uma exposição para contar a história da UCIN e a forma como, dia a dia, cada profissional não se poupa a esforços para apoiar as famílias que enfrentam a batalha da prematuridade, que as obriga, muitas vezes, a deixar os bebés internados, largas semanas.

É o caso de Marta Baptista, uma jovem mãe de 26 anos, da Pampilhosa (Mealhada) e do pai João Filipe Costa, que viram as pequeninas Aurora e Benedita - nascidas às 34 semanas e um dia de gestação -ficarem internadas durante 24 dias.

Marta Baptista Com Aurora E Benedita
Marta Baptista regressou ontem à MBB com as pequeninas Aurora e Benedita

«Foi muito difícil», contou ao Diário de Coimbra numa visita à maternidade, onde a 20 de setembro, nasceram as pequeninas, depois de uma gravidez «complicada». Passados os momentos de angústia, as gémeas «estão ótimas» e ontem estiveram na Bissaya Barreto na comemoração do Dia Mundial da Prematuridade, celebração, que, este ano, alcançou «marco histórico», salienta a neonatologista Gabriela Mimoso: a Organização Mundial de Saúde reconheceu oficialmente a prematuridade como um problema de dimensão global e destacou a urgência de tratar o nascimento prematuro como uma prioridade de saúde pública em todo o mundo.

Como refere a também presidente da Sociedade Portuguesa Neonatologia, no nosso país nascem, por ano, mais de seis mil bebés prematuros. Na ULS de Coimbra nascem, aproximadamente, 500 recém-nascidos por ano, dos quais à volta de 2,1% são extremamente prematuros (idade gestacional inferior a 32 semanas).

De acordo com Gabriela Mimoso, «a sobrevida sem sequelas acima das 24/25 semanas é muito boa». Nos últimos oito anos, há a indicação de 11 bebés que nasceram na Maternidade Bissaya Barreto às 25 semanas de gestação «que ficaram bem e sem sequelas» e três com algumas sequelas, continuou.

Numa altura em que está em discussão pública a proposta da rede de referenciação neonatal e de obstetrícia e ginecologia, pede-se o reforço da equidade e qualidade dos cuidados prestados às mães e aos recém-nascidos, sabendo-se que Portugal continua «alguns dos melhores indicadores de saúde neonatal a nível mundial».

Gabriela Mimoso destaca que os problemas «não têm atingido a prematuridade».

Cada vez mais grávidas a ter bebés nos HUC

Gabriela Mimoso adianta que, nos últimos tempos, tem havido cada vez mais grávidas a ter os bebés no bloco central, um factor diretamente relacionado com a idade e riscos associados, frisa.

«Esse é outro desgaste que temos agora. Os meios não estão estáveis», adianta, acrescentando que também por estas necessidades, a maternidade «tem de estar junto a um hospital central». Aliás, critica o tempo que se demorou a decidir a localização da nova maternidade.

Números:

  • 6.000 bebés prematuros, aproximadamente, nascem por ano em Portugal
  • 500 bebés nascem “antes do tempo” nas maternidades da ULS de Coimbra
  • 2,1 % dos prematuros nascidos nas mternidades de Coimbra são extremamente prematuros (idade gestacional abaixo de 32 semanas)
Novembro 18, 2025 . 08:20

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