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Misericórdia associou-se à Semana da Sensibilização para a Malnutrição em Arganil

Especialistas alertaram para a necessidade de vigiar a alimentação dos mais velhos, essencial para a saúde e bem-estar dos utentes

A Associação Portuguesa de Nutrição Entérica e Parentérica (APNEP) promoveu ao longo da semana passada a 7.ª edição da Semana da Sensibilização para a Malnutrição em Portugal, uma iniciativa pioneira, integrada nas atividades de campanha da ONCA International e ESPEN Malnutrition Awa renessweek. E, já agora, para quem não sabe, a malnutrição define--se como sendo uma «ingestão alimentar/nutricional insuficiente, mas, reversível com um adequado e precoce suporte nutricional».

A abertura da iniciativa teve lugar segunda-feira no Convento Corpus Christi, numa sessão com a presença da ministra da Saúde Ana Paula Martins e que teve o apoio da Câmara de Gaia. Já na terça-feira, foi a vez da Santa Casa da Misericórdia de Arganil acolher o segundo momento desta iniciativa, uma conferência que contou com as presenças de diversos oradores, nomeadamente Aníbal Marinho, presidente da APNEP, Michael Hiesmayr, coordenador e fundador do projeto NutritionDay, Jorge Fonseca, médico especialista em gastroenterologia e nutrição clínica, António Oliveira, médico especialista em cirurgia geral e uma figura de destaque na nutrição clínica no país, Manuel Veríssimo, médico especialista em medicina interna e especialista nas áreas de geriatria e medicina do envelhecimento, assim como Paulo Lopes, especialista em medicina geral e familiar e diretor clínico da Misericórdia de Arganil e do Hospital Dr. Fernando Valle.

Para Nuno Gomes, receber esta conferência, que decorreu no salão nobre da instituição, foi um “privilégio”, esperando que todos os «oradores percebam o quanto para nós é importante a vossa vinda aqui». «Para nós é um orgulho, uma honra receber-vos», confessou o diretor-geral da Misericórdia de Arganil, destacando o papel da APNEP que, «ao longo dos últimos anos, tem sido incansável na promoção das questões da nutrição para a saúde e bem-estar dos utentes». «Portugal tem sido um exemplo, é uma referência nesta área e isso deve-se à persistência e sensibilização contínua por esta Associação», fez notar o dirigente que conduziu a conferência.

O mote deste ano é “Malnutrição: Não basta diagnosticar, é preciso tratar”, com a APNEP a lançar como desafio nacional “tolerância zero à malnutrição”, tendo decorrido ainda no âmbito desta “Semana da Sensibilização para a Malnutrição” um “Roteiro Interativo”, intitulado “Nutrição em Movimento”, convidando os participantes a explorarem o Parque da Lavandeira e o Pavilhão Municipal de Gaia, através de pistas e desafios sobre a alimentação saudável e cultura gaiense. Já na sexta-feira, teve lugar um convívio no Parque Biológico de Gaia.

A malnutrição é reversível desde que avaliada a tempo e com suporte nutricional

Congratulando-se com a organização da conferência em Arganil, António Sérgio Martins felicitou a Misericórdia local por «trazer aqui um assunto tão pertinente e atual», para em seguida aludir ao setor social que no seu entender está «numa crise de subfinanciamento gritante». «E ainda assim as instituições não baixam a fasquia aos tratamentos dos seus idosos», destacou o presidente do Secretariado Regional de Coimbra da União das Misericórdias Portuguesas, lamentando que o Estado, que assumiu suportar «50% dos nossos custos, não o esteja a fazer com propriedade». Ainda assim, afiançou, «as Misericórdias não desistem», desejando que os utentes das Misericórdias «vivam cada vez, com mais qualidade e cada vez mais nutridos».

Encerrou a sessão António Carvalhais, que também considerou um “privilégio” receber os referidos médicos que «nos esclareceram sobre a malnutrição», pedindo a todos os presentes, comunidade em geral e representantes de diversas profissões que «levem esta mensagem da malnutrição para casa e para os vossos amigos».

O provedor da Misericórdia de Arganil confessou, todavia, que não se preocupa, no seu caso pessoal, com a malnutrição, porque «apesar de comer boas iguarias, aos 81 anos faço crossfit». Contudo, por outro lado, referiu que o que «vejo em algumas aldeias já é preocupante, pois vejo pessoas a definhar, pensava que estavam a cuidar da sua alimentação e afinal, vim a perceber que era malnutriçao».

O dirigente quis fazer um donativo no valor de 1000 euros à APNEP, no entanto o seu presidente, Aníbal Marinho, referiu que a associação não recebe donativos, sugerindo que utilizem esse valor para os “coffe-breaks”, das formações sobre esta temática que futuramente o médico gostaria de vir ministrar à Misericórdia de Arganil.

Novembro 17, 2025 . 09:00

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