
Em dois dias, três jovens praticaram quatro roubos
Fugiram de um centro de reabilitação de toxicodependentes, em Palmela, e semearam o terror em Coimbra. Em causa estão três jovens, atualmente com 17 e 18 anos, que no curto espaço de dois dias perpetraram quatro crimes de roubo. Aconteceu em outubro do ano passado, foram detidos pela PSP e começam esta semana a ser julgados por um tribunal coletivo.
Em comum os três jovens têm um passado ligado ao consumo de cannabis e estão os três institucionalizados, no âmbito da proteção de menores. Ingressaram os três no Centro Jovem Tejo, de Palmela, no ano passado, em momentos diferentes e os três decidiram “ausentar-se” da instituição, sem a necessária autorização, refere o Ministério Público (MP), responsável pela acusação. Coimbra foi o destino escolhido, talvez devido ao facto de um deles ser natural da cidade, sendo os outros dois de Felgueiras e de Torres Vedras.
A fuga aconteceu no dia 11 de outubro e rapidamente os arguidos «elaboraram um plano» com o objetivo de «se apoderarem dos bens de valor e quantias monetárias de terceiros». A metodologia passava pelo constrangimento, «fazendo uso da sua superioridade numérica», pela ameaça «contra a vida», ou ainda pela subtração, atingindo as vítimas «na sua integridade física», refere o MP.
Começaram então os crimes, com um recorde de quatro em escassos dois dias. O primeiro aconteceu junto à Escola D. Maria, dia 15, por volta das 17h00, e a vítima foi um adolescente de 14 anos que se viu rodeado pelos assaltantes, que lhe ordenaram a entrega de todos os bens, advertindo-o para «não gritar, nem avisar a polícia», caso contrário «o matariam». «Receando pela sua integridade física e vida», entregou o telemóvel e os auriculares, avaliados em mais de 600 euros.
O primeiro aconteceu junto à Escola D. Maria, dia 15, por volta das 17h00
Novo assalto no dia seguinte, logo às 9h30. A vítima foi um jovem de 18 anos, abordado na Rua Miguel Torga, quando manuseava o telemóvel. Mais uma investida “em bloco”, com os arguidos a dizerem à vítima que «gostavam do seu telemóvel». Receando ser agredido, tentou “negociar”, entregando-lhes os dois euros que possuía, mas viu o telemóvel ser-lhe “arrancado” da mão e o trio desaparecer com o equipamento, avaliado em 150 euros, e com o dinheiro.
No mesmo dia, às 13h00, a vítima foi uma jovem, que estava sentada num banco na Rua Padre Estêvão Cabral e se viu rodeada pelos assaltantes e desapossada da mochila “Firenze”, onde tinha documentos pessoais, cartões bancários, algum dinheiro e a chave do carro. Mochila que foi abandonada junto ao Mc Donal´s, da Fernão de Magalhães, sem os cartões bancários e sem o dinheiro.
A vítima do quarto assalto foi um adolescente de 16 anos, abordado na Rua Jerónimo Baía, pelas 18h00, «quando manuseava o seu telemóvel» “Apple”, avaliado em 600 euros. «Dá-me o telemóvel!», foi a ordem expressa e a vítima, com receio, obedeceu. Seguiu-se a exigência da palavra-passe e a ameaça de que «se não colaborasse seria agredido», ao mesmo tempo que lhe «arrancaram os auriculares sem fios» e o relógio, avaliados respetivamente em 120 e 250 euros. Ainda lhe perguntaram se tinha dinheiro e apoderaram-se da nota de 5 euros, devolvendo-lhe a carteira. De acordo com o MP, os arguidos tentaram, sem êxito, desbloquear o telemóvel, acabando por devolver o aparelho à vítima e abandonaram o local, seguindo rumo ao supermercado Aldi, na Quinta da Maia, onde foram abordados por dois agentes da PSP. Em seu poder tinham todos os equipamento e artigos roubados.
Os três jovens estão obrigados a apresentações bissemanais à autoridade policial, proibidos de se ausentarem da instituição e obrigados a cumprir um plano terapêutico para a adição de cannabis. O julgamento tem início esta semana no Tribunal de Coimbra.











