
Associação Académica criou em 1937 bolsas de estudo para os seus futebolistas
Congratulando-se com o crescimento e prestígio que a sua equipa de futebol estava a alcançar no panorama desportivo nacional, a Associação Académica de Coimbra (AAC) anunciou neste jornal, a 3 de dezembro de 1937, a criação de incentivos para atrair à modalidade novos valores, propondo-se captá-los no seio da comunidade estudantil.
«Deixou de ser possível continuar a esperar, como outrora, que, em Coimbra, caiam, em cada geração, como por milagre, desconhecidos talentos desportivos, inéditas dedicações ao foot-ball da Académica. Tornou-se indispensável procurar os bons jogadores, onde quer que estejam, através de todas as dificuldades que rodeiam a sua posição desportiva. Por outro lado, sendo incompatível o profissionalismo com as caraterísticas que continuaremos a manter no “team”, tornou-se necessário, o que dificultou o problema, procurar os bons jogadores de que carecíamos entre estudantes ou entre rapazes que reunissem as condições de idade e preparação para o serem», lia-se na “nota oficiosa”, publicada no Diário de Coimbra, em que a associação dava conta de «algumas modificações na organização da sua Secção Desportiva».
No comunicado, a AAC começava por considerar «sumamente interessante e consolador o desenvolvimento atingido pela Associação Académica, na modalidade do foot-ball, durante os últimos anos».
«A participação no Campeonato da 1.ª Liga, causa fundamental desse desenvolvimento, trouxe à Associação Académica, a par de pesadas responsabilidades de classe, um notável acréscimo de prestígio desportivo e novos estímulos no legítimo entusiasmo da claque. Claque de caraterísticas especiais, a da Associação Académica, criando fortes laços de solidariedade entre todos os estudantes, ainda para além da saída da Universidade, constitui um fenómeno sentimental de vincado interesse que, junto a outras e principais razões de ordem desportiva, tornou primeiro dever desta Direção a organização de um “team” de superior categoria», observava.
No entanto, tornava-se difícil criar e manter uma equipa, não profissional, capaz de competir com as melhores no principal campeonato do país. Tanto mais havendo que repartir o esforço financeiro, face a «um crescimento cada vez maior da vida desportiva no seio da Associação Académica», que contava já 10 secções desportivas «em intensa atividade», cinco das quais (hóquei em patins, andebol, ténis, luta greco-romana e esgrima) criadas desde o ano anterior, juntando-se às já existentes modalidades de futebol, basquetebol, natação, atletismo e pingue-pongue.
«Em vista do futuro destas secções, no respeitante a talentos desportivos individuais, urge fixar princípios novos, que desde já passam a ser aplicados no foot-ball, tendo em vista que há muitos rapazes com vocação desportiva, mas de escassos meios financeiros, a quem se possa, simultaneamente com a prática do desporto, dar possibilidades de estudo e facilitar a aquisição duma desafogada posição na vida.Torna-se necessário seguir o exemplo de muitas universidades estrangeiras, especialmente de universidades norte-americanas onde nos rapazes de grande valor nas equipas universitárias, por razões de justiça e de estímulo, são dadas grandes facilidades de estudo, entre os quais isenção de propinas», apontava.
Nesse sentido, a Direção da AAC tornava público que estava «organizado um serviço de bolsas de estudo, compreendendo pensão e subsídio, parcial ou total, para propinas e material didático, a conceder aos estudantes ou rapazes aptos para o serem, que tecnicamente convenham à Secção Desportiva da Associação Académica».
«Estas bolsas de estudo, de caraterísticas semelhantes às distribuídas pela Sociedade Filantrópica Académica, representam um alargamento da obra de assistência a estudantes sem meios, há muito iniciada na Academia de Coimbra. Devem ser requeridas nos meses anteriores ao início de cada época desportiva, devendo sê-lo, no referente a jogadores de foot-ball, nos meses de julho a outubro», lia-se no comunicado.
(Pode ler hoje esta e outras histórias e curiosidades na edição impressa do Diário de Coimbra. No nosso site estão também disponíveis três centenas de páginas de memórias dos primeiros anos do jornal)










