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Colorido dos canários enche pavilhão de Marco dos Pereiros

Expo-Aves de Coimbra reúne duas dezenas de criadores da região, que apresentam alguns dos seus melhores troféus, entre canários, piriquitos e psitacídeos

São 350 aves, em representação de 21 criadores da região, e apresentam-se ao público no espaço da Associação Sócio Cultural, Recreio e Desporto (ASCRD) de Pereiros. Uma explosão de cores e de chilreios que pode ser apreciada todo o fim de semana. Falamos da 22.ª Expo-Aves de Coimbra, uma organização da Associação Ornitológica de Coimbra, inaugurada ontem à tarde.

«Vamos apreciar a beleza destas aves premiadas», convidou Bertília Simão, presidente da União de Freguesias de Santa Clara e Castelo Viegas, que presidiu à inauguração, satisfeita com o facto de Marco dos Pereiros ser, este ano, anfitrião do evento. «Venham mais vezes», disse, num desafio à organização da mostra.

Amanhã, depois do encerramento do certame, organização procede à entrega dos prémios aos vencedores nas diferentes categorias

José Carlos Campos, presidente da Associação Ornitológica de Coimbra, também criador reconhecido e premiado no evento, fez as “honras da casa”, apresentando as diferentes espécies de aves presentes. Basicamente trata-se de canários e entre os de cor destacam-se os brancos, os amarelos e os vermelhos, com as variáveis intensos e nevados. Referência, ainda, para os asa branca, mosaico, Ágata, Isabel, Lizard, frisados do norte e do sul, Hoso japonês ou ainda o Fife-fancy, uma ave arredondada, com o corpo em forma de ovo, ou ainda o lusitano Arlequim, com ou sem popa. «É a única raça portuguesa de canários considerada a nível mundial», explica José Carlos Campos.

São dezenas e dezenas de gaiolas, cada uma com o seu exemplar, que disputam a atenção dos visitantes. A colorida plumagem – que vai desde o banco ao vermelho, passando pelos tons mesclados do castanho ao cinza - é, decerto, o fator mais atrativo para os leigos, muito embora os especialistas avaliem todos os pormenores. Aliás, foi isso que os jurados fizeram de antemão, avaliando exemplar por exemplar, nos diversos parâmetros standard, definidos a nível internacional.

Trata-se de avaliar a cor, a plumagem, a forma, o tamanho e a condição de bem-estar, com a atribuição de um conjunto de pontos que, no máximo, permitem atingir os 100. Uma classificação impossível, dizem os entendidos que, por curiosidade, referem que a melhor pontuação obtida foi de 96, no Campeonato do Mundo deste ano, realizado em Santa Maria da Feira. «Uma ave estrangeira», esclarecem.

Expo-Aves de Coimbra pode ser visitada durante o dia de hoje, entre as 10h00 e as 20h00, e amanhã, das 10h00 às 18h00

Com excelentes classificações, as gaiolas apresentam o dístico do prémio conquistado pelo respetivo “morador”, num concurso que também reconheceu o mérito dos piriquitos, presentes em menor número, e ainda dos psitacídeos, representados pelo criador Ricardo Santos, que integram verdadeiramente a “fileira das estrelas”. São aves de maior dimensão, que se impõem pelo colorido da sua plumagem, que tanto apresenta uma paleta vertiginosa de cores, como quase parece uma pintura realista, tamanha é a perfeição do traço imprimido pela natureza.

Em lugar de destaque, no centro do pavilhão, estão os eleitos para o “Top +”, ou seja, os melhores entre os melhores nas várias categorias. Assim, o canário vermelho intenso, de José Carlos Campos, foi considerado o “melhor canário de cor”; o Arlequim português de popa do criador Gonçalo Remoaldo foi não só eleito o melhor da sua classe como a melhor ave de toda a exposição. Em destaque no podium estão, ainda, o melhor psitacídeo, um piriquito regente, pertencente a Ricardo Santos, e a “melhor equipa” é constituída por quatro canários Arlequim sem poupa, pertencentes à criadora Maria Fernandes.

Surto de gripe aviária condiciona edição da Expo-Aves de Coimbra

Apesar do número significativo de aves e criadores, a mostra está bastante limitada este ano, tendo em conta, por um lado, a realização, neste fim de semana, de vários encontros ornitológicos em diferentes pontos do país, e, por outro, o registo de um surto de gripe aviária detetado em várias zonas. «Alguns criadores desistiram», conta o presidente da Associação Ornitológica de Coimbra (AOC) e «outros foram impedidos de participar», o que aconteceu, nomeadamente com os criadores de zonas de risco ou que estiveram numa recente mostra, realizada em Oliveira do Bairro, onde se detetou um surto da doença, com a Direção Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) decretou regime de quarentena. Também devido a esta situação, a organização da Expo-Aves, em sintonia com a DGAV, decidiu que não há venda ou troca de aves, como habitualmente acontece. Os 21 criadores presentes na mostra são todos da região, provenientes da Lousã, Pampilhosa, Mealhada, Figueira da Foz e várias freguesias do concelho de Coimbra, «que não de Taveiro», afiança o presidente da AOC, freguesia referenciada pela DGAV como de risco, devido à doença.

Novembro 15, 2025 . 09:20

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