
Luca Argel leva ao palco “Revoluções no Coração”
O Festival Política regressa a Coimbra com mais uma edição dedicada à reflexão, ao debate e à celebração da arte enquanto espaço de pensamento crítico e transformação social. Entre os nomes em destaque desta edição estará o músico e poeta Luca Argel, que, no dia 14, no Convento São Francisco, apresentará o espetáculo “PREC: Pequenas Revoluções no Coração”, uma proposta que cruza música, palavra e consciência política.
Radicado em Portugal há mais de 10 anos, o artista brasileiro afirma sentir-se «em casa» neste tipo de contexto. «As coisas que eu crio têm ligação com questões políticas e sociais, e esse é o mesmo espírito do festival», explica. A relação de Luca Argel com o Festival Política vem de trás: «Participei de uma edição há três anos, em Loulé, e achei que a proposta combinava muito com a minha. É bonito ver um festival que não tem vergonha de se posicionar politicamente».
Em Coimbra, o músico apresentará um espetáculo que propõe uma releitura simbólica do PREC: Processo Revolucionário em Curso, momento marcante da história de Portugal. Mas em vez de evocar apenas a revolução coletiva que transformou o país, Argel propõe um movimento interior: «Quis inverter o ponto de vista e pensar numa revolução que acontecesse para dentro. Uma revolução no coração».
Luca Argel está radicado em Portugal há mais de 10 anos
O concerto irá combinar canções originais do artista com versões de outros músicos, entre eles Zeca Afonso, figura central do 25 de Abril, e que Argel considera uma grande referência. «Estou sempre em contacto com a música portuguesa, com o que está a ser feito agora. Gosto de acompanhar, de me deixar influenciar», diz. A atuação irá incluir também uma canção em parceria com A Garota Não e a canção “Quem foi?”, que o carioca apresentou na edição deste ano do Festival da Canção.
Em “Pequenas Revoluções no Coração”, as músicas são entrelaçadas por textos poéticos e reflexivos que o cantor preparou especialmente para este alinhamento. «O que tem de 100% inédito nesse meu espetáculo não são exatamente as músicas, mas é a forma como eu ligo cada uma delas», explica. «É como se esses textos dessem a moldura para as músicas entrarem».
O espetáculo convida o público a refletir sobre a função social da arte e a sua capacidade de inspirar transformação. «A arte transforma o mundo? Ou as pessoas? No seu melhor e mais poderoso estágio, o que a arte faz é inspirar, informar, transformar, revolucionar o coração das pessoas para que elas próprias transformem o seu mundo», escreve o carioca num dos textos que irá recitar em palco.
Através da música e da poesia, o artista propõe uma revolução íntima e empática - aquela que começa dentro de cada um e se estende à forma como olhamos o outro. «Ao falar de imigração, falo também de trabalho, de relações, da forma como olhamos o outro: com hostilidade ou com generosidade. É disso que se trata a revolução de que falo», sublinha.
O Festival Política volta, assim, a afirmar-se como um espaço de encontro entre arte e cidadania, com Luca Argel a oferecer uma das propostas mais simbólicas desta edição. “Pequenas Revoluções no Coração” promete lembrar que toda a mudança começa por dentro, e que talvez o gesto político mais radical seja, afinal, o de escutar o outro.











