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João Manuel Ribeiro vence Prémio literário

“Silêncio do Bussaco” é a obra vencedora, um “romance com um mundo histórico que, no caso do Bussaco, é uma memória misteriosa”

“Silêncio do Bussaco”, da autoria de João Manuel Ribeiro, do Porto, é a obra vencedora da segunda edição do Prémio Literário António Augusto Costa Simões. O júri atribuiu ainda uma menção honrosa ao romance “A última dor”, de António Manuel de Melo Breda Carvalho, da Mealhada. A iniciativa, promovida pela autarquia, contou com oito concorrentes. O vencedor arrecadou um prémio monetário no valor de três mil euros e vê o custo de 500 exemplares da sua obra serem assumidos pelo município mealhadense.

João Manuel Ribeiro é poeta, escritor, editor e investigador, sendo considerado «um dos mais promissores autores de poesia para a infância», área em que se destacou, com a publicação de mais de cinco dezenas de livros de literatura infantil e juvenil. Na Mealhada arrecadou o seu primeiro prémio na área da literatura para adultos. «Esta obra é um romance com um fundo histórico que, no caso do Bussaco, é uma memória misteriosa. Acredito que depois de o lerem, irão ao local com outros olhos», declarou o vencedor, desvendando que o livro se centra «numa arqueóloga que vai ao Bussaco para tentar descobrir um mistério, que não o revela. E na verdade é isso que eu sinto sobre aquele local, ao qual faço um apelo: nunca lhe retirem o seu mistério».

Para o painel de jurados, a relevância do tema “Bussaco” foi primordial na atribuição do prémio, «em nome da preservação ambiental, do património local e até mundial e ainda pela originalidade da narrativa que alia a força necessária à referida defesa do ambiente e à frescura da linguagem eminentemente poética».

João Manuel Ribeiro venceu a segunda edição do prémio que homenageia um ilustre mealhadense

O júri, constituído por Isabel Lemos, Maria da Luz Pedroso e João Paulo Simões, distinguiu ainda, com uma menção honrosa, o romance “A última dor”, de António Manuel de Melo Breda Carvalho, «pela premência social dos temas: violência doméstica e abuso sexual de crianças e pela originalidade intimista da produção narrativa epistolar». O autor é docente e escritor, e conta já com diversos livros publicados e prémios literários.

«Foi uma tarefa poliédrica, com várias faces e ângulos de apreciação e com muita subjetividade, do autor e dos jurados, uma vez que se trata de um ato de criação em que o autor escreve sempre para um hipotético público», referiu Isabel Lemos, presidente do júri, explicando, porém, que foram estabelecidos critérios, logo na primeira reunião, que levaram ao resultado final.

Para o presidente da Câmara Municipal da Mealhada, António Jorge Franco, quem ganha com estas obras «é a nossa cultura e o concelho da Mealhada». Palavras corroboradas por Filomena Pinheiro, vice-presidente da autarquia, que enalteceu os concorrentes: «Todos contribuíram para o enriquecimento da literatura nacional porque produziram romances, que vão ser lidos e gerar emoções e muitas reações. Também é da criatividade das vossas produções que o nosso território é conhecido e pode ser alvo de novas dinâmicas».

Prémio homenageia ilustre mealhadense

Criado em 2018, o Prémio Literário António Augusto da Costa Simões procura homenagear a «mais grada figura do concelho da Mealhada». «Foi um pilar de desenvolvimento e progresso na Mealhada, na região, no país e no mundo», referiu Filomena Pinheiro, vice-presidente da autarquia, confessando «ser uma honra ter o seu nome neste prémio. António Augusto da Costa Simões, que nasceu em 1819, na Vacariça, «é considerado o maior impulsionador do método experimental em Portugal. Ficou conhecido pelas suas qualidades de reformador e progressista em quase todas as áreas em que trabalhou. Foi professor e, mais tarde, reitor na Universidade de Coimbra, embora desempenhasse outros cargos ao mesmo tempo», lê-se numa nota municipal.

Novembro 8, 2025 . 07:45

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