
“ESG é condição e não opção” e assim será para um futuro melhor
Para quem ainda tinha dúvidas sobre aplicar ou não medidas de sustentabilidade na sua empresa ou sobre aprender mais sobre elas, certamente saiu da terceira edição do Coimbra iTEC esclarecido: o futuro precisa delas e as empresas também. E se as empresas precisam, os estudantes e as entidades de Ensino Superior têm de continuar a acompanhar o seu desenvolvimento.
Se, há 20 ou 30 anos eram apenas um “detalhe”, hoje em dia são a regra. Quem o afirma são as especialistas Cláudia Coelho, diretora de sustentabilidade e alterações climáticas da PWC, e Cláudia Tapadas, diretora de estratégia e sustentabilidade da Sair da Casca. Em discurso em dois momentos distintos, as duas oradoras mostraram ao público que o ESG - Environmental Social Governance (ou, simplesmente, Governança Ambiental e Social destinado a empresas), não é um “bicho de sete cabeças”, mas precisa de atenção.
«Há mega-tendências que nos fazem logo pensar na sustentabilidade como as alterações demográficas, alterações climáticas, escassez de recursos, tudo isto motiva pensamento e esse é o primeiro passo para a correta aplicação do ESG», identifica Cláudia Coelho. A especialista explica, também, que apesar das medidas europeias (como o Acordo de Paris) são importantes e minimizam danos, por exemplo, nos efeitos das alterações climáticas, porém, ainda não estão na velocidade desejada.
“Preocupação com o fim do mundo ou com o fim do mês? Esta é uma equação que não tem resolução, mas em que temos de pensar segundo o ESG”
Outro alerta deixado pela especialista foi o de que a União Europeia (UE) implementou uma legislação «muito abrangente» e isso prejudicou algumas empresas. «O avanço de certas medidas dos EUA motivou a que a UE fizesse nova análise das suas medidas, e isso é positivo porque pretende não prejudicar os avanços dos ESG, mas sim motivar uma utilização à escala de cada empresa».
Se a responsável da PWC avançou com uma apresentação mais “estatística” e “analítica”, Cláudia Tapadas mostrou-se mais atenta à necessidade de contextualizar as ESG e a sua utilização efetiva. Num momento dinâmico com o público pediu, em duas ocasiões, para que os presentes
respondessem a um pequeno “inquérito” que pretendia identificar, em primeira instância, se a comunicação das empresas era clara nas suas medidas e, em segundo lugar, se as empresas presentes praticavam determinadas práticas. As respostas mostraram que ainda existem algumas barreiras, mas que há um caminho a traçar para um fim correto. «Há uma grande divisão e preocupação sobre escolher o fim do mundo ou o fim do mês. Esta é uma equação sem resolução, é preciso pensar passo a passo, caso a caso, é para isso que queremos trabalhar no correto uso das políticas ESG».
Veja o vídeo da cerimónia de abertura do Coimbra iTEC
Abertura deixou mote pensado para o futuro
Foi através da voz de Sofia Carvalho Figueiredo, docente no Instituto Superior Miguel Torga (ISMT) e convidada a presidir as apresentações, que se deu início ao iTEC Coimbra, este ano ligado ao tema do ESG. Mas, afinal, o que é o ESG?
Para um auditório repleto de convidados e alunos inscritos, Alexandre Gomes da Silva começou um discurso direto e sucinto em que explicou a utilização do termo. «Environmental Social Governance, ESG, é um conjunto de boas práticas relacionadas com a sustentabilidade e responsabilidades sociais e, ainda, governança própria, que se traduzem em práticas importantes para as empresas e a sociedade que a rodeia», sendo, segundo o presidente do ISCAC - Coimbra Business School, «um exemplo para o futuro dos nossos alunos».
Seguindo-lhe a deixa, Hugo Serra, presidente do Conselho Empresarial da Região de Coimbra (CERC), sublinhou que os ESG já não são «opcionais» e que, ao longo do tempo, têm-se tornado «naturais das empresas». Enaltecendo o trabalho conectante das entidades parceiras que tornam a iTEC possível, revelou que esta é «uma oportunidade de aproximar o território, as empresas e os estudantes».
Manuel Castelo Branco, presidente do ISMT, adicionou que era «uma grande alegria fazer parte da parceria que continha também IPC, ISCAC e CERC», mas destacou o “menos positivo” nas políticas ESG atuais. «O crescimento de potências económicas de terceiro mundo e o desinteresse e outras medidas dos EUA, que não respeitam as ESG, vem mostrar o quão importante é para o mundo ocidental e para a UE que se mantenha o desenvolvimento do lado sustentável, que já nos é intrínseco»











