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“Desconstruir” a ideia da morte é chave de “Volto Já”

Espetáculo solo de António Raminhos chega hoje ao Conservatório de Música de Coimbra e promete fazer rir enquanto se analisam os medos e práticas do “fim da vida”

Foi com medos e pensamentos que António Raminhos se “agarrou à caneta” para criar um «espetáculo que é espetáculo».

Encenado e preparado para que nada falhe, “Volto Já” chega ao Conservatório de Música de Coimbra pelas 21h00 de hoje com o objetivo de fazer refletir sobre questões ocidentais e não ocidentais relacionadas com um dos temas mais “macabros” da vida: a morte.

«Os meus últimos espetáculos a solo têm sido direcionados para o storytelling pessoal através da comédia. Este também segue a mesma linha» conta o comediante António Raminhos ao Diário de Coimbra.

O novo solo será sobre «a morte e o medo de morrer», um tema em que pensa muito e que considera que muitos passam pelo mesmo. «Se eu penso nisto, então mais pessoas devem pensar. Há uma ideia intrínseca na nossa sociedade ocidental sobre a morte e as suas tradições, que noutros pontos do mundo são muito diferentes».

Na pesquisa para construir este novo espetáculo, percebeu que há uma «carga associada» ao tema que se dispersa noutras sociedades, o que levou a um “brainstorm” com ajuda da Inteligência Artificial (IA).

“Há uma ideia intrínseca na nossa sociedade ocidental sobre a morte e as suas tradições, que noutros pontos do mundo são muito diferentes”

«Não faz boas piadas [a IA]. Tentei utilizá-la como ferramenta de pesquisa, de discussão, mas acabei por encontrar opções muito fracas» mencionou, citando ainda Rafinha Bastos, comediante e amigo: «numa conversa ele disse-me “não mendigues risos e aplausos, faz aquilo que tu és” e a verdade é que às vezes nem é o “set-up” da piada que tem piada, é mesmo a forma genuína como a fazemos, e isso ainda não existe [na IA]».

Como uma das maiores “caras” da saúde mental em Portugal, António Raminhos admite que este trajeto não é necessariamente um «orgulho», mas sim o «caminho» escolhido.

«É o caminho que me faz mais sentido. Faço outras atuações onde digo coisas parvas que me lembro ou trabalho de outra forma, mas nos solos descobri que este é o meu caminho», conta.

Relembrando outras paragens, ainda antes da comédia, recorda os tempos de jornalista e a sua “felicidade”.

«Sempre que encontro um dos meus colegas dos tempos de jornalista digo que fico feliz por não ter continuado». Para si há uma grande diferença entre ambas as profissões. «O feedback é imediato na comédia. E no jornalismo ele às vezes nem existe. Quando estava nessa área sentia que estava a escrever para “encher”, para acabar o jornal, fechar a edição ou a emissão. Na comédia o feedback é imediato, dá para perceber qual caminho tomar».

Mesmo assim, admite que existem traços que mantém e que o ajudam no seu trabalho. «Utilizar a realidade para desconstruir situações e a própria capacidade de síntese, são coisas que nunca deixei e que agradeço ao jornalismo por ter desenvolvido», sublinha.

Com «liberdade para criar» e pronto para enfrentar «haters» e «pessoas que não entendem a mensagem», António Raminhos passa por Coimbra para a segunda paragem de “Volto Já”, espetáculo que está em digressão nacional até 2026.

Outubro 31, 2025 . 08:50

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