
Mais de 28 mil já pediram apoios justos para famílias de crianças com cancro
Mais de 28 mil pessoas já assinaram a Carta Aberta com a qual a Acreditar está a pedir «apoios justos às famílias de crianças e jovens com cancro». Lançado no fim de semana, este documento, endereçado ao Presidente da República, ao presidente da Assembleia da República e ao primeiro-ministro, fala «em nome de quem vive e cuida de um filho com cancro, para apelar a uma resposta justa, sustentada e humana», lê-se.
A Carta Aberta - disponível em https://acreditar.org.pt/carta-aberta-pela-qualidade-de-vida-em-oncologia-pediatrica/ - é mais um passo numa luta que tem vindo a ser liderada pela Acreditar, mas também por pais e familiares de crianças com cancro, das quais o advogado conimbrincense Rui Moreira Claro tem sido uma voz ativa em representação de tantas famílias que juntam à dor de um diagnóstico de cancro pediátrico, um sem número de constrangimentos, resultado da falta de apoios dignos do Estado.
A Carta Aberta aborda a frieza dos números. Há cerca de 400 novos casos de cancro pediátrico em Portugal e cada diagnóstico afeta entre 50 a 100 pessoas (familiares, amigos, profissionais de saúde, colegas, professores e vizinhos). A Acreditar foi mais longe e fez, em 2024, um Levantamento Nacional sobre os Problemas em Oncologia Pediátrica, que dão conta, entre outros de um impacto financeiro de 655 euros por mês na vida das famílias, «uma vez que o subsídio de assistência a filho com cancro apenas aproveita um progenitor e cobre apenas 65% do salário, até ao limite máximo de 1.045 euros/ mês.
Subsídio por morte injusto
Junta-se «um aumento das despesas com deslocações, terapias ocupacionais, alimentação especial e medicação», como avança a Carta Aberta, que deixa claro o facto de estes números refletirem «histórias reais» de «pais que abdicam de rendimentos para garantir presença, da famílias que mudam de cidade, de irmãos que veem a rotina suspensa». Isto porque, como o documento deixa muito claro, «tratar de uma criança ou jovem com cancro implica uma abordagem integrada à sua condição médica, emocional, social e familiar» e isto não é possível na sua plenitude sem um acompanhamento aos pais.
Dando voz a um movimento que, no últimos meses, tem tornado cada vez mais pública a realidade de quem enfrenta um cancro pediátrico, a Carta Aberta defende um «reforço do apoio» às famílias, para que não haja perda da rendimento do agregado familiar, nomeadamente eliminando o tal teto máximo dos 1.045 euros definido atualmente. «Permitir que ambos os cuidadores usufruam simultaneamente da licença» e não apenas um como acontece até agora ou ainda «agilizar e desburocratizar os procedimentos no acesso aos apoios» são outras das propostas do documento que aborda ainda uma outra questão que consideram «muito injusta» que é o facto de o subsídio de funeral atribuído a uma criança ser muito inferior ao valor normal: no caso de uma criança são 254,63 euros, enquanto que o valor de reembolso normal por morte é de 1.567,50 euros.
A todas estas propostas junta-se a de que sejam assegurados «cuidados adequados às necessidades de crianças e jovens com cancro e das suas famílias, garantindo que cada criança e jovem tem acesso aos melhores cuidados possíveis em todas as fases da doença».|
Partidos disponíveis para ouvir reivindicações e propostas
A luta da Acreditar, de pais e familiares de crianças com cancros, tem dado passos importantes desde que a falta de apoios foi tornada pública. Este mês, representantes deste movimento, entre os quais Rui Moreira Claro, residente em Coimbra e pai do pequeno Manel, com quatro anos, diagnosticado com cancro, foram já recebidos pelo PSD e pelo CDS, dois partidos que integram este Governo, assim como pelo Livre e pelo Chega, esperando agora reunião com o Partido Socialista no mesmo sentido.
«Há uma abertura para esta questão», confirmou, confiante, Rui Moreira Claro, ao Diário de Coimbra, esperando que a Carta Aberta - que está a ter uma repercussão enorme junto da sociedade - possa ser um contributo importante para que as propostas sejam tidas em conta. Pedro Chagas Freitas ou Luís Osório são duas personalidade que estão a promover o documento. O desejo é chegar às 50 mil assinaturas até ao final desta semana










