
MATE “era difícil de visionar” mas tornou-se um evento de relevo anual
Foi como «momento especial» que Eron Quintiliano “carimbou” a cerimónia de abertura do MATE Festival, no Convento S. Francisco. Esta é já a 9.ª edição, o que prova a importância de «manter uma visão» que se continuou a desenvolver todos os anos até esta versão, quase toda ela “polida”.
O produtor, Eron Quintiliano, cara já bem conhecida do público português e, principalmente, de Coimbra, iniciou a sessão com palavras felizes de “dever cumprido”. «Em 2016 era um evento difícil de visionar e houve muitas críticas por parte dos puritanos. Hoje em dia somos um dos eventos que mais liga as comunidades, um dos mais relevantes para a cultura e continuamos a crescer e a afirmar o nosso conceito», afirmou.
Foi a “agarrar-se” a estas palavras de Eron que Fernanda da Cunha Barth, secretária do desenvolvimento económico, turismo e eventos de Porto Alegre (Brasil), alertou para o sucesso deste evento que, há nove anos, teve a sua primeira edição em Porto Alegre. «Tudo o que é inovador enfrenta desafios, críticas, negacionistas. A sua existência e a continuidade deste projeto mostram o seu sucesso», sublinhou.
Também em representação da comunidade berço do MATE Festival, Juliana Sueli Sehn, coordenadora da secretaria de estado da cultura de Rio Grande do Sul, dirigiu-se aos presentes com palavras de memória, solidariedade e força para continuar a levar o projeto mais longe. «No último ano, 440 de 497 cidades do Rio Grande do Sul foram afetadas pelas alterações climáticas, com cheias muito devastadoras. Foi através da arte, da cultura, do desenvolvimento destas áreas em conjunto com a tecnologia, que nos fomos mantendo fortes. Fortificámos os nossos setores da indústria artística e é esse um dos nossos futuros», enalteceu a responsável.
“Em 2016 era um evento difícil de visionar. Hoje somos um dos eventos mais relevantes para a cultura”
Em conformidade com o tema do desenvolvimento, Eron Quintiliano destacou a importância da arte no PIB (Produto Interno Bruto) mundial, o qual a cultura representa 2,4% desse valor, porém, o produtor admite que o número é “enganador”. «É necessário continuar a estudar a abrangência e a importância da cultura, principalmente no setor do desenvolvimento económico. A arte, a cultura, ela chega a muitos setores que não estão englobados nestes estudos representativos. A cultura mexe com o setor do turismo, da hotelaria, das viagens, da contabilidade, da advocacia, todos estes não estão visados na “cultura” propriamente dita, não são artistas, mas têm uma grande ligação com eles pelos serviços prestados e pela atratividade vinda das atividades culturais», disse.
O MATE Festival continua até dia 26 de outubro, domingo, com várias atividades dinamizadas no interior do Convento S. Francisco.
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