
Festival espera servir de hoje a domingo cerca de 4.000 negalhos
Do negalho não há dúvidas de que é prato tradicional, outrora sempre presente na mesa da região da Bairrada, sobretudo em dias de festa e em que se juntava a família. Hoje ainda assim é, não com a presença forte e assídua de outros tempos, mas mantendo viva a tradição de uma iguaria que a Associação Cultural e Recreativa de Enxofães (ACRE), do concelho de Cantanhede, faz por continuar a ter à mesa. E é com esse propósito firme de manter o prato vivo e de o dar a conhecer a cada vez mais pessoas, que a associação realiza o seu festival anual dedicado ao negalho da Bairrada. Este ano, será de hoje a domingo, na sede da associação.
«Manter a tradição sempre com qualidade», resume Daniel Costa, presidente da direção da ACRE de Enxofães, sobre os objetivos do festival que cumpre este ano a sua 16.ª edição.
O que é, afinal, o negalho, um prato tradicional que, garante Daniel Costa, atrai todos os anos muitas pessoas curiosas para experimentar esta iguaria da região? «É o bucho da cabra recheado com várias carnes e temperos», explica o responsável, revelando que o negalho tradicional é feito com hortelã, o que lhe confere um «sabor mais fresco», mas existe também a variante com salsa, para quem dispensa o sabor da hortelã. «É uma tradição muito antiga», enfatiza Daniel Costa.
Este petisco típico começa, na realidade, com bucho de cabra velha e ganha vida com um recheio de carne de vaca, porco, chouriço e temperos especiais. Depois de cozido, o bucho transforma-se em pequenas bolas e vai ao forno numa caçoila, num processo que lembra a tradicional Chanfana.
Nas três refeições que se vão servir durante o festival - os jantares de hoje e amanhã e o almoço de domingo - a organização conta servir entre 1.500 e 1.800 refeições, o que se traduz em cerca de 4.000 negalhos. Em cada prato são servidos dois negalhos, acompanhados de grelos e batata cozida, com bebidas e pão à descrição.
Para assegurar a realização do evento, uma equipa com «30 a 40 pessoas» tem vindo, desde há um mês, a envolver-se nos preparativos. São elementos da associação, mas também voluntários da comunidade. «Só assim é que é possível», diz o responsável, saudando o envolvimento de todos que arregaçam as mangas para dar corpo ao evento.
Além dos voluntários, há ainda dois restaurantes - A Gruta e Cabana do Pastor - que se juntam à organização, ajudando na confeção dos negalhos que depois são servidos no espaço do evento.
A expectativa de Daniel Costa é que «muita gente apareça no festival e saia satisfeita». «É para isso que trabalhamos», garante o dirigente.
Programa de animação a par com a gastronomia
As portas do 16.º Festival do Negalho de Enxofães abrem hoje às 19h00 e só se fecham pelas 16h00 de domingo. Nestes dias, e porque o festival não se resume a gastronomia, há um programa de animação. Assim, hoje, pelas 22h00, atua a Academia Cantanhede Gym, seguida do Grupo de Dança Fénix Groove. Pelas 23h30 sobe ao palco The Rob Salinger Band. Amanhã, a animação começa ao som da Banda Led, que atua a partir das 22h00, seguida de baile funk com Eduardo Ribeiro. Domingo, a partir das 13h00, as atuações no espaço serão da responsabilidade de Ana Teresa Almeida, Óscar Campos e Emanuel Ortet.












