
Projeto da Praxis enfrenta questões burocráticas
O projeto que o grupo Praxis quer implementar na Quinta do Pomar do Alqueive, em Coimbra, nomeadamente de produção de citrosidra (sidra de maçã e laranja) e de cerveja, enfrenta dificuldades burocráticas, por se tratar de uma zona de Reserva Agrícola Nacional (RAN). Nada que demova o promotor, o empresário Arnaldo Baptista, esperançado que «impere o bom senso» e que o projeto, de interesse municipal reconhecido, «chegue a bom porto».
O investimento de 4,8 milhões de euros na quinta de quase 40 hectares, entre a estrada de Sandelgas e o Palácio de São Marcos, prevê a criação de 25 postos de trabalho diretos, entre a unidade de produção de cerveja artesanal e citrosidra, centro interpretativo e um espaço de restauração.
Como ontem foi Dia Internacional da Maçã, o projeto foi divulgado durante as comemorações promovidas no UC Exploratório, com o empresário a explicar o surgimento da citrosidra, bebida que o grupo lançou no mercado em 2022. Fruto de uma tese de mestrado que Arnaldo Baptista defendeu em 2016 (FLUC/ESAC), a citrosidra é também «um grito de revolta» contra o esquecimento do património histórico da “Coimbra dos laranjais”, fruta cítrica que Portugal disseminou nos Descobrimentos.
«Não sendo fácil desenvolver uma bebida só de laranja», juntou-se a maçã, explicou, ao notar que Coimbra está entre Alcobaça e a Beira Alta, zonas de produção de maçãs. O rótulo da bebida recupera um outro «tesouro» de Coimbra, a faiança, com apogeu nos séculos XVII e XVIII, observou, antes de assinalar que a citrosidra tem traços diferenciados, rompe com as sidras industriais hiperaçucaradas.
O projeto para a quinta inclui a criação de laranjais e pomares de maçãs para a produção e compreende um segmento cultural, com o centro interpretativo. No entanto, é uma área RAN e o processo «tem sido sinuoso», apesar de acrescentar valor à terra e do potencial para fixar pessoas, além de manter um efetivo pecuário para escoar subprodutos da produção das bebidas. «Não tem sido fácil» superar as burocracias da RAN, apesar de o projeto prever uma unidade de produção praticamente enterrada.
Pese embora os obstáculos ao processo, que corre termos no Ministério da Agricultura, Arnaldo Baptista acredita que o projeto chegará a bom porto. «Sou um indivíduo extraordinariamente teimoso», disse, ao lembrar que foram necessários oito anos para o primeiro projeto da Praxis, grupo que recuperou as cervejas históricas Topázio e Onyx, produzidas em Coimbra. Ainda não há sensibilidade para empreendedorismo, considerou, referindo que o projeto poderá dar uma oportunidade a um espaço, com bancos de argila e calcário, que não tem utilidade.
O projeto, recorde-se, reveste-se de interesse público municipal, estatuto aprovado pela Câmara e ratificado em Assembleia Municipal.
Também presente na apresentação, Pedro Baptista, diretor executivo da Praxis e filho do fundador, deixou mais umas achegas sobre a citrosidra, que deu a provar, explicando que é «seca, esgota os açucares no processo de fermentação». Houve ainda oportunidade para divulgação do Cachôpo, sumo estabilizado de maçã, que a Praxis Cervejeira Restaurante, frequentada por muitas famílias, desenvolveu para resposta às solicitações dos mais pequenos.











