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Benjamim visitou hospital que o tratou “como um rei” e trouxe presente especial

Escritor Pedro Chagas Freitas doou mais de 10 mil euros em material ao Pediátrico de Coimbra, onde o filho esteve mais de três meses internado e a desejar ter dias “cheios de nada”

Pode um pai ou uma mãe festejar um golo do seu clube no hospital? E, em longos dias internamento de um filho, poder lavar a roupa sem ter de andar à procura de uma lavandaria, é ou não uma mais-valia? Terão direito estes pais a um canto no hospital, onde, por momentos, se possam sentir quase em casa? A estas perguntas, o escritor Pedro Chagas Freitas não tem dúvidas da resposta: claro que sim.

É também a pensar nas famílias que acompanham crianças no Hospital Pediátrico de Coimbra que os mais de 10 mil euros angariados com venda do livro “O Rei Tigão” serviram para adquirir material, como televisões, microondas, máquinas de lavar roupa e de secar, sofás-cama ou camas desdobráveis.

Com a Hepaturix como intermediária, o escritor esteve ontem no Hospital Pediátrico de Coimbra (onde o filho Benjamim esteve internado durante mais de 90 dias, devido a um grave problema de saúde) a formalizar a doação de mais de 10 mil euros, resultado de 100% dos direitos de autor da venda de “O Rei Tigão”, um livro que surge da “batalha” do Benjamim contra a doença.

«São materiais que permitem fazer com que esta experiência de acompanhar alguém doente seja menos desconfortável, menos terrível. É sempre uma experiência muito complicada, mas se nós podermos, de alguma maneira, fazê-la mais confortável... é muito importante para os próprios doentes - os filhos, neste caso -, sentirem os pais com mais força, com mais energia, com mais motivação», salientou o escritor, ao reforçar que «são pequenos pormenores que podem fazer a diferença».

Como testemunhou o escritor, aos doentes «não falta nada», com o lado humano das equipas a tentar minimizar os problemas. «O Benjamim foi tratado como um rei», tal como todos os outros meninos e meninas, frisou, destacando que, com a doação, pretende-se também tornar menos dolorosa a permanência dos acompanhantes, que acabam por «morar no hospital», sozinhos e longe de casa.

«E as necessidades que nós vimos eram necessidades tão básicas, como lavar a roupa sem ter de “abandonar” a crian­ça, para ir a uma lavandaria. Coisas tão básicas como um microondas ou uma cama minimamente confortável. E televisões novas, porque, epá, no meio do caos, festejar um golo, pode-nos tirar uns 10 segundos de angústia», continuou.

E, gracejou, «é uma maravilha estar aqui e depois ir para casa», gracejou Pedro Chagas Freitas, depois de adiantar, em declarações aos jornalistas, que «é mais uma viagem, mas desta vez, uma viagem boa» de regresso a um sítio, que «até pode ser um lugar divertido» e onde o filho desejou tantas vezes «ter um dia cheio de nada».

E na tarde de ontem falou-se também de empatia. E fica a dica de Pedro Chagas Freitas: dizer a alguém que vai ficar tudo bem ou «que Deus dá as grandes guerras a grandes guerreiros», não ajuda. «Aquilo que, à partida, parece uma frase altamente empática e fofinha e querida, é altamente desempática». «Se não sabem o que dizer, não digam nada, estejam lá. Se quiserem dizer alguma coisa, digam “aguenta-te”, “eu estou aqui”, “amo-te”», aconselhou.

 

Livro “ é uma  resposta ao medo”

“O Rei Tigão” nasceu da experiência do Benjamim no hospital, em que os personagens Tigão e Alfredo estiveram sempre presentes. É «a resposta ao medo, a resposta à angústia», sublinhou o autor, referindo que «é impossível sentir medo quando estamos no meio do forrobodó, no meio da pândega, no meio da alegria». «Quando estou genuinamente alegre não sinto medo», sublinhou.

Outubro 20, 2025 . 07:30

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