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Nomes de sócios desde 1923 gravados em mesa no Café Santa Cruz

Fundadores e sócios gerentes merecem lugar de destaque permanente no café histórico da Praça 8 de Maio.

Emblemático, histórico e com memória, o centenário Café Santa Cruz prestou ontem homenagem aos fundadores, os empresários Adriano Viegas da Cunha Lucas (fundador do Diário de Coimbra), Adriano Ferreira da Cunha e Mário Pais, e a todos os sócios gerentes, desde 1923 aos dias de hoje. A “Mesa dos Gerentes”, com nomes e assinaturas de quem fez o café restaurante, inclui três logótipos, representativos de épocas, e encerra em si uma história singular, também polémica, de um espaço que foi um pouco de tudo, de capela/igreja a agência funerária ou quartel de bombeiros e esquadra de polícia.

Vítor Marques, atual sócio gerente a par de José Cruz e Pau­lo Gonçalves, sublinhou o lega­do, que hoje é uma oportunida­de para usufruir de um café num edifício construído em 1530, pensado para ser café em finais de 1919, quando três empresários de Coimbra «decidiram mudar por completo a história do edifício».

 

"Mesa dos gerentes" tem os nomes e assinaturas das personalidades que fundaram o café

Para uma melhor contextualização da história do Santa Cruz, Vítor Marques pediu a Adriano Callé Lucas, neto de Adriano Viegas da Cunha Lucas, uma breve resenha dos primeiros passos do café. O espaço, sacralizado com a Igreja de São das Donas e depois secularizado, já sem caráter religioso, ficou sem a fachada original, que deu lugar a uma fachada banal.

Quando os empresários quiseram alterar para a atual fachada, instalou-se a polémica, com «um grande debate na imprensa», inclusive com parecer negativo da Câmara Municipal, mas, observou Adriano Callé Lucas, «vingou a opção dos fundadores».

Para o também arquiteto, «a qualidade da arquitetura mede-se no tempo, há obras que se integram e outras que se deterioram». E a fachada do Café Santa Cruz, do século XX, «é magnífica e faz parte da imagem de Coimbra», reforçou o também diretor do Diário de Coimbra.

O Santa Cruz esteve na família de Adriano Lucas até 1970, passando depois para Alexandre Marques, pai de Vítor Marques, atual sócio-gerente, que, elogiou o arquiteto, «tão bem tem tratado» o espaço».

Mesa Fundadores 26

«Estamos abertos há 102 anos porque o café continua a ser um espaço com vida, aberto à Baixa, à cidade, à região, à Europa, ao Mundo», diria Vítor Marques, ao notar que «representa Coimbra e Portugal». E não são os só os atuais sócios que o dizem, reparou, dando o exemplo do The New York Times, que quando incluiu Coimbra nos 52 sítios a visitar em 2025 escolheu para fotografia principal o Café Santa Cruz.

«É um acréscimo de responsabilidade enormíssimo», sustentou.

Na cerimónia participaram ainda José Marcelino Pestana e Arnaldo Gonçalves, que foram sócios de Alexandre Marques, Nuno Miranda, que esteve na atual sociedade até 2021, todos com o nome inscrito na “Mesa dos Gerentes”, e Maria Luísa Marques, mãe de Vítor Marques.

Outubro 8, 2025 . 08:25

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