
UC lança Joanina Digital, uma janela para o mundo com 18 milhões de páginas
A Universidade de Coimbra (UC) lança hoje a plataforma da Biblioteca Joanina Digital, que passou por um projeto-piloto e prevê a digitalização e disponibilização, até 2030, de 30 mil volumes do Piso Nobre, um novo arquivo patrimonial composto por cerca de 18 milhões de páginas.
A sessão inclui a apresentação pública dos resultados do projeto-piloto, iniciado em fevereiro deste ano, com destaque para a coleção digital dedicada ao Médio Oriente, «um recurso precioso para a investigação sobre a presença dos portugueses no Golfo e Península Arábica», refere a UC.
No âmbito da cerimónia, o emir do Sharjah e membro do Conselho Supremo dos Emirados Árabes Unidos, xeque Sultan bin Muhammad Al-Qasimi, apresenta também a sua mais recente obra, dedicada, precisamente, à história da região. O programa da visita inclui também a inauguração do Centro de Estudos Árabes da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (ver texto secundário).
O projeto Joanina Digital resulta de uma parceria entre a UC e a Sharjah Book Authority, com o alto patrocínio do chefe de Estado do Emirado de Sharjah. Para o reitor da UC, o «projeto vai muito além da simples transposição do papel para o digital, representa um esforço programático de valorização de um acervo único, recuperando exemplares que careçam de conservação e restauro». Constitui «uma oportunidade para projetar, no universo digital, uma das mais belas bibliotecas do mundo» e «estimula soluções técnicas inovadoras e investigação de ponta, como é próprio de uma Universidade de prestígio», acrescenta Amílcar Falcão.
A Joanina Digital vai abrir «uma ponte entre a Europa e o mundo árabe, ligando gerações de académicos, investigadores e estudantes a um conhecimento raro que informa o presente e constrói o futuro», afirma por sua vez o xeque Sultan bin Mohammed Al Qasimi.
Durante a fase piloto foram digitalizadas 160 mil páginas, com catalogação de 3.343 volumes. O projeto promove o acesso gratuito a um acervo único, composto por obras desde os primórdios da tipografia até finais do século XVIII, incluindo cartografia e outros documentos históricos. A plataforma incorpora inovações tecnológicas ao nível das ferramentas de pesquisa, por exemplo, com recurso à inteligência artificial, potenciando novas formas de leitura e de análise, incluindo a mineração de dados.
O lançamento da plataforma inclui a abertura de uma exposição com algumas das obras mais representativas do processo de digitalização.
Inaugurado Centro de Estudos Árabes
A Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra inaugura hoje o Centro de Estudos Árabes, um organismo pioneiro no sistema de ensino superior nacional. Com «o alto patrocínio» do chefe de Estado de Sharjah, o xeque Sultan bin Muhammad Al-Qasimi, que vai estar presente na inauguração, o novo organismo vai dinamizar cursos de língua e cultura árabes, com início neste mês de outubro.
De acordo com a UC, o Centro de Estudos Árabes vai também promover a realização regular de conferências, aulas abertas, workshops, colóquios, exposições e concertos em torno da cultura árabe, «visando desenvolver e fortalecer os laços de cooperação académica, científica e cultural entre a Universidade de Coimbra e instituições universitárias e culturais do mundo árabe». Está previsto o intercâmbio de estudantes, docentes e investigadores e a construção de parcerias para iniciativas conjuntas.
A iniciativa, assinala o diretor da FLUC, Albano Figueiredo, é «inovadora e diferenciadora», sendo colocada à disposição da comunidade universitária e de um público mais vasto.
O docente responsável pelo Centro será Abdeljelil Larbi, licenciado em Língua e Literatura Árabes pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas de Tunes em 1999, mestre em Estudos Culturais Árabes e Islâmicos pela Faculdade de Letras de Manouba de Tunes, em 2003, e doutor em Estudos Literários Comparados, pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, em 2020.











