
PJ deteve mais um “peão” da rede de imigração ilegal
Já estava “sinalizado” nos inícios de maio, quando a Polícia Judiciária (PJ) desmantelou um grupo organizado de auxílio à imigração ilegal. Todavia, só agora foram reunidos os “fios da meada” que levaram à sua detenção, na quarta-feira. Em causa está um homem de 37 anos, estrangeiro, residente em Coimbra, o 14.º elemento do grupo criminoso, responsável pela “legalização” de milhares de imigrantes no país.
«Um elemento importante» na orgânica do grupo, considera fonte ligada à investigação, da responsabilidade da Diretoria do Centro da PJ. Sem antecedentes criminais conhecidos, o suspeito teria um papel de relevo na estrutura, que, depois de angariar “candidatos”, através das redes sociais, particularmente nos países da América do Sul e Hindustão, garantia, mediante o pagamento de valores que poderiam oscilar entre os 15 e os 17 mil euros, toda a documentação necessária ao processo de legalização.
Um serviço diferenciado, que incluía desde número de identificação fiscal, da Segurança Social, do Serviço Nacional de Saúde e mesmo contrato de trabalho. Uma rede que terá começado a operar nos inícios de 2022 e que, teria neste indivíduo, radicado em Coimbra há três anos, um “pilar” importante.
A atestar isso está o equipamento e documentos que a PJ apreendeu na sua residência e numa «garagem discreta», onde tinha instalada uma oficina “multifunções”.
Do rol, destaque para «um enorme acervo de documentação utilizada em processos de legalização irregular de estrangeiros», bem como «sofisticados equipamentos eletrónicos», designadamente utilizados para copiar/captar códigos de segurança para abertura remota e clonar cartões, inibidor de sinais de comunicação “jammer", um mini gravador laser, que pode ser usado em falsificações.
Equipamento e documentos a que se juntam uma viatura automóvel, uma pistola de calibre 7,65mm, munições, dois pares de algemas, coletes táticos, detetor de metais e um binóculo de visão noturna. A PJ encontrou, ainda, na oficina, peças em metal que «estavam a ser trabalhadas», aparentemente para a «construção de uma metralhadora». Foi ainda apreendido dinheiro em numerário e equipamentos informáticos.
A PJ deteve 13 pessoas, sete homem e seis mulheres, com idades entre os 26 e os 64 anos, associados a esta rede de auxílio à imigração ilegal
A apreensão de “material de guerra” poderá ser um sinal de que o indivíduo se preparava para “mudar de atividade”, o que não será de estranhar tendo em conta o forte revés que a organização criminosa sofreu no início de maio. Recorde-se que, numa mega operação que envolveu 200 operacionais e 40 buscas – Coimbra, Espinho, Carregal do Sal, Amadora, Odivelas, Loures e Lisboa – a PJ deteve 13 pessoas, sete homem e seis mulheres, com idades entre os 26 e os 64 anos, associados a esta rede de auxílio à imigração ilegal. Entre os detidos estão sete empresários, uma advogada de Lisboa e uma funcionária da Direção-Geral dos Assuntos Consulares e das Comunidades Portuguesas do Ministério dos Negócios Estrangeiros.
Esta mulher representava uma das “pedras angulares”da organização, que conferia um cunho de autenticidade e legalidade a uma estrutura criminosa, que terá enganado «muitos milhares de imigrantes».
Um grupo «profissional» «muito bem organizado», envolvendo cidadãos de várias nacionalidades, desde nepalezes, do Bangladesh, do Brasil e também portugueses, que gerou proveitos muito relevantes para os seus membros, na «ordens dos milhões de euros», referiu, na altura, o diretor da PJ de Coimbra.
Aliás, nas buscas efetuadas a PJ apreendeu cerca de um milhão de euros em dinheiro e foram congeladas 35 contas bancárias e uma de cripto-ativos da Binance. Foram também apreendidos 11 veículos, alguns de alta cilindrada, duas presas de marfim com cerca de 50 kg cada, vários artigos adquiridos com os proveitos do crime, a que se juntou um enorme acervo de documentação utilizada nos processos de legalização irregular, designadamente um selo branco.
Dos 13 detidos em maio pela Judiciária, seis encontram-se em prisão preventiva e contam, agora, com a “companhia” do 14.º elemento. Outros quatro arguidos estão em prisão domiciliária com pulseira eletrónica.











