
Biblioteca Joanina abre-se ao mundo e promove diálogo entre civilizações
«Este notável projeto de digitalização conhece hoje um passo determinante, com o lançamento público da sua primeira secção: a Coleção Digital do Médio Oriente». Palavras de Amílcar Falcão, reitor da Universidade Coimbra (UC), na apresentação da plataforma que leva ao mundo alguns dos cerca de 30 mil volumes que integram o “Piso Nobre” da Biblioteca Joanina. Uma obra da coleção “Sultan bin Mohammed Al Qasimi”, assim designada em homenagem ao chefe de Estado de Sharjah (Emirados dos Emirados Árabes Unidos), presente na cerimónia. Um investigador, um estudioso, um homem de cultura e de diálogo e um amigo da Universidade.
Isso mesmo destacou o reitor, ao lembrar que o Xeque Dr. Sultan bin Mohammed Al Qasimi foi distinguido, em 2018, com o título de Doutor Honoris Causa pela UC, ponto de partida para uma «crescente proximidade». «Sua alteza, profundamente impressionado bela beleza da Biblioteca Joanina, exprimiu à UC vontade de desenvolver um projeto conjunto, que permitisse a digitalização do seu precioso acervo bibliográfico», contou.
Um gesto que nasceu do encontro entre mundividências e tradições culturais convergentes» e se traduziu na «partilha de um propósito universal» de «preservar este património para as gerações futuras e torná-lo acessível a toda a Humanidade», disse Amílcar Falcão.
"É um convite a todos os povos para cruzarem as suas memórias e referências culturais, abrindo novas vias de colaboração académica, científica e tecnológica"
Perante uma plateia basicamente constituída por elementos que integravam a comitiva do Emirado de Sharjah e pelo grande número de seguranças que acompanhavam o Xeque – e que ditou a presença da Unidade Especial de Polícia no polo I da UC - Amílcar Falcão fez uma apresentação global do projeto Joanina Digital (https://digitalis.uc.pt/joaninadigital), que vai «muito além da simples mudança de suporte material dos livros ou da transposição do papel para o digital», se traduz «num esforço de valorização do acerco único desta Biblioteca» e representa, sobretudo, «um convite a todos os povos para cruzarem as suas memórias e referências culturais, abrindo novas vias de colaboração académica, científica e tecnológica».
«Ao projetar no universo digital uma das mais belas bibliotecas do mundo, criamos condições para o encontro entre diferentes tradições intelectuais e artísticas e colocamos a investigação de ponta ao serviço de um legado que é comum», adiantou o reitor. Enaltecendo a colaboração ente a UC e a Sharjah Book Authority, Amílcar Falcão reforçou o papel do livro como «ponte entre culturas, como mediador de um diálogo em que passado, presente e futuro se unem para promover a Cultura, a Ciência e o Conhecimento».

Desta forma, a Joanina, conhecida como “Casa da Livraria”, «cresce para se transformar na Casa de Toda a Terra Habitada. Uma casa onde os livros falam múltiplas línguas, onde o diálogo entre civilizações se torna património partilhado e onde se reafirma que a Cultura, os valores humanistas, a colaboração e a compreensão mútua são o melhor meio para criar um mundo melhor, habitado por pessoas mais esclarecidas e por cidadãos mais felizes», concluiu.
Na mesma linha, o Xeque Mohammed Al Qasimi expressou a sua vontade de reforçar a colaboração futura com a UC, «a fim de preservar o património e iluminar as gerações futuras no conhecimento». «Embora a cultura não altere a geografia, muda a forma como a vemos, não consegue apagar fronteiras, mas pode transformá-las em pontes vivas de diálogo. A cultura não reescreve a história, mas muda a forma como a lemos», assegurou.











