
Banco de Tecidos Oculares coloca ULS de Coimbra na vanguarda da inovação
A Unidade Local de Saúde (ULS) de Coimbra inaugurou ontem, nos HUC, o Banco de Tecidos Oculares (BTOC) – Sala Prof. Doutor Joaquim Murta, «com potenciais enormes», sendo, desde já, único centro em Portugal certificado para exportação de córneas e que irá reduzir a dependência de Portugal nesta área.
Para o oftalmologista homenageado, «a honraria» de ter o seu nome no banco de tecidos é mais do que pessoal, é o reconhecimento de um trabalho coletivo que começou há mais de 15 anos. Com referências a todos os que lutarem pela sala, Joaquim Murta revelou-se «contente por ver aqui o que já vi em outros países». A sala, observou, «não é apenas uma infraestrutura técnica, é um motor de transformação» clínica e científica, pode posicionar Coimbra como referência nacional e internacional como referência de inovação, «que já é», assinalou, sublinhando o papel do professor Cunha Vaz, envolvido desde o início na criação do banco de tecidos.
«Tem potenciais enormes e vai ser um sucesso do ponto de vista de funcionamento», antecipou, ao notar, entre diferentes possibilidades médicas e de investigação, a garantia de segurança e qualidade dos tecidos, ou a formação avançada que permite, além de tornar Portugal menos dependente de importação de córneas. Tem, reforçou, uma grande amplitude de atuação e potencial estratégico e institucional, com capacidade de atrair investimento.
Antes, Rufino Silva agradecera a Joaquim Murta, um «mestre visionário», e a Cunha Vaz, por terem iniciado o caminho que culminou na inauguração da sala, com o diretor do Serviço de Oftalmologia da ULS de Coimbra a estender os agradecimentos a todos os envolvidos, em particular aos sucessivos Conselhos de Administração, com enfâse nos dois últimos, liderados por Carlos Santos e agora por Alexandre Lourenço. Deixou ainda uma palavra especial à equipa da córnea e banco de órgãos, na pessoa da oftalmologista Maria João Quadrado, pelo trabalho notável e de rigor científico que permitiram a nova realidade do banco de tecidos.
“Banco” permite aumentar a disponibilidade de tecidos, alarga critérios de colheita e reduz as listas de espera
Tal como Joaquim Murta, Rufino Silva destacou o «marco histórico» que representa o BTOC, «não apenas para Coimbra mas para a oftalmologia nacional», que permite aumentar a disponibilidade de tecidos, alarga critérios de colheita e reduz as listas de espera. Ao assinalar também a garantia de maior autonomia nacional, com diminuição da dependência de importação de córneas, o médico afirmou que o BTOC reforça a sustentabilidade do sistema e coloca Coimbra e a ULS na «linha da frente na inovação, assumindo um papel de liderança na medicina regenerativa ocular».
Acresce, ao impulso à investigação, às colheitas e a cirurgias mais específicas, a dimensão humana: «é feito para os doentes, cada córnea transplantada, cada tecido aplicado, significa recuperação de visão, disse Rufino Silva.
A inauguração, com descerramento de placa, decorreu no âmbito do programa do Dia da ULS de Coimbra. Alexandre Lourenço assinalou o momento de enorme felicidade, vendo o banco de tecidos como um pilar na inovação científica e na investigação, que alia ciência à solidariedade. «Permite-nos ser melhores nesta área, sustentou











