
67% das vítimas de violência não estão integradas em serviços de apoio social
67% das vítimas de violência não estão integradas em serviços da rede de apoio social. Este é um dos dados mais relevantes do balanço hoje divulgado pela Fundação Bissaya Barreto, em Coimbra, de mais de uma década da Linha SOS Pessoa Idosa, a propósito do Dia Internacional da Pessoa Idosa, que se assinala.
Isto significa que bem mais de metade das pessoas identificadas como vítimas de violência não integram a rede de apoio social, não beneficiando, portanto de Serviços de Apoio Domiciliário, Centros de Dia, Centros comunitários, entre outros, avança a instituição, em comunicado
Nos mais de 2.000 pedidos de ajuda recebidos pelo Serviço da Fundação Bissaya Barreto, referentes a pessoas idosas vítimas de violência, a violência psicológica é a forma mais identificada (55%), seguida da negligência (41%), da violência financeira (28%) e da violência física (20%).
Há ainda casos de abandono (11%), violência institucional (8%) e autonegligência (12%).
A maioria das situações reportadas envolve mulheres, muitas vezes viúvas, em situação de dependência física ou cognitiva, com escassa rede de apoio familiar ou comunitário.
Também nos agressores a presença de patologias mentais é frequente e indicada como um fator preditor da ocorrência de violência. Cerca de 30% dos agressores apresentam problemas de saúde mental, frequentemente associados a consumos de estupefacientes ou álcool (11%).
Além disso, a sobrecarga do cuidador (12%), isolamento social, antecedentes de violência e dependência habitacional do idoso constituem fatores adicionais que potenciam este ciclo de abuso.
A maioria dos agressores de pessoas idosas convive diariamente em coabitação com a vítima (47%), sendo muitas vezes os próprios filhos ou cônjuges, o que torna a violência um fenómeno oculto e de difícil denúncia. Metade dos agressores é filho/a da vítima, e cerca de 21% dos casos de violência prolongam-se durante mais de 5 anos, revelando um caráter reiterado. Apesar da dimensão do problema, a subnotificação continua a ser elevada. Em 58% das situações é pedido anonimato e muitos idosos não denunciam por medo, vergonha ou dependência emocional e financeira.











