
“Zé do Benfica”, “dois pés esquerdos” no futebol e o carinho das gentes da terra
Como é que o atletismo apareceu na sua vida?
Bem, o atletismo aparece muito ao “calhas”, por assim dizer. Eu joguei um ano de futebol na Associação Desportiva Lagares da Beira. Era sub-17 ou sub-16. E comecei a correr no ano a seguir. Portanto, como júnior de primeiro ano no atletismo, não sei se era 17 ou 18 anos. Isto foi no desporto escolar. Portanto, naquelas provas que nós temos na escola que são os “megas”. Na altura estava no secundário, no 10.º ano e ganhei o mega sprint, o mega quilómetro e o mega salto, no mesmo dia. E estava lá um senhor a ver. Esse senhor é o professor Nuno Amaro Que foi o meu primeiro treinador. Ele é de Oliveira do Hospital. No final, ele perguntou-me: “Olha, tu gostavas de experimentar o atletismo?”. Respondi que até gostava de experimentar o atletismo mas que tinha de acabar o ano no futebol. Estava inscrito, a jogar federado, não tinham muita gente e já me tinha comprometido a ficar até ao final da época. Na minha primeira prova de atletismo, fiz mínimos para os campeonatos nacionais, aos 60 metros, algo que não faço agora, era velocidade. Aí abri os olhos e comecei a pensar assim: “Se calhar até sou bom”.
E no futebol, como é que era?
No futebol, podíamos dizer que eu tinha dois pés esquerdos. Eu corria muito bem. Basicamente era isso. Eu chutava a bola para a frente e ia correr atrás dela. Era péssimo.
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