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Vergonha e estigma são “inimigos” na prevenção do cancro ginecológico

IPO de Coimbra assinala, amanhã, o Dia do Cancro Ginecológico, com uma programa aberto a toda a comunidade. Rita Sousa alerta para a atenção que tem de ser dada aos sinais de alerta

Estima-se que, todos os anos, sejam diagnosticados em Portugal entre 2.500 a três mil casos de cancros ginecológicos, sendo o cancro do endométrio o mais frequente, com mais de 1.120 casos, seguido do cancro do colo do útero, com cerca de 580.

Amanhã, sábado, assinala-se o Dia Mundial do Cancro Ginecológico, uma oportunidade para alertar a população para os sintomas e para a importância da prevenção e do diagnóstico precoce, até porque, alerta Rita Sousa, diretora do Serviço de Ginecologia do IPO de Coimbra, «alguns cancros são completamente evitáveis, nomeadamente o cancro do colo do útero».

«Temos muitas “armas” para o prevenir e evitar que a doença surja», destaca a especialista, lembrando que se trata de uma patologia associada a uma infeção para a qual existe uma vacina (HPV). Como refere Rita Sousa, estão disponíveis rastreios «que permitem detetar lesões pré-cancerígenas em várias fases» e «mais de 50% das mulheres chegam com cancros avançados, à altura do diagnóstico».

Pelo segundo ano consecutivo, o IPO de Coimbra associa-se à campanha internacional “World GO Day”, promovida pela Sociedade Europeia de Ginecologia Oncológica, que visa chamar a atenção para os sinais de alerta que devem ser valorizados, para a prevenção e o diagnóstico precoce.

Um dos principais problemas associados à doença é o «estigma» que lhe está associado, mas também «a vergonha» e outras questões culturais relacionadas com a exposição da mulher numa consulta, lamenta Rita Sousa.

«Por exemplo, no que respeita ao cancro da vulva, às vezes, aparecem especialmente senhoras de idade, com situações muito avançadas, porque têm vergonha de mostrar», salienta, ao reforçar a atenção que se tem de dar aos sinais.

E que sinais são esses? No caso do colo do útero, quando há sintomas quer dizer que «o cancro já existe e já pode estar avançado», explica a diretora do Serviço de Ginecologia do IPO de Coimbra. Hemorragias - que podem ser espontâneas ou durante as relações sexuais -, as dores ou o odor vaginal desagradável são alertas que não podem ser desvalorizados, sublinha. «Fora disso é detetado nos rastreios e é perfeitamente assintomático», refere, lembrando que o rastreio deve ser realizado de cinco em cinco anos em mulheres a partir dos 30 anos (antes da vacina do HPV, o rastreio dirigia-se a mulheres a partir dos 25 anos).

Aliás, à colheita nos moldes habituais, está em vias de iniciar uma nova modalidade, que prevê a auto-colheita com recurso a uma zaragatoa. «Parece-me que será uma boa estratégia e que, no futuro, vai chegar a uma franja muito maior de senhoras», adianta.

«Dos cancros ginecológicos, o único que tem rastreio é o do colo [do útero]. Portanto, [a prevenção] passa por uma vigilância regular e estar atento a sinais de alarme», sublinha, acrescentando que «é uma doença prevenível e evitável».

A nível do cancro do endométrio, que «surge mais após a menopausa», o primeiro sinal de alerta - e, às vezes, o único - é hemorragia. «Portanto, uma senhora que já não menstrue, que tenha uma hemorragia, não deve ficar a ver o que é que acontece», adverte.

No caso do cancro da vulva, importa estar atenta «a uma borbulha que não passa, que faz comichão» e ao prurido crónico.

Por fim, há ainda o cancro do ovário, que continua a ter «uma mortalidade elevadíssima», lamenta Rita Sousa. Distensão abdominal é o principal alerta e há também dor associada.

«São tumores que começam por quistos e sabemos que há alguns fatores de risco, como por exemplo, a componente hereditária, genética. Mas, não só», explica a médica. Olhando para as faixas etárias, sabe-se que o cancro da vulva afeta mulheres mais velhas, a partir dos 70 anos, já o cancro do colo do útero verifica-se em mulheres jovens, com impacto, muitas vezes, «dramático», ao nível social, laboral e familiar. Os cancros do ovário e do endométrio deteta-se, essencialmente, em mulheres a partir dos 50 anos, «embora possa surgir mais cedo», salienta.

«A mensagem é: façam os rastreios e avisem as mulheres da vossa vida» e «estejam atentas aos sinais», conclui. 

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Setembro 19, 2025 . 09:10

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