Areaclientedc
Última Hora
Pub Dc Unicafarma 20260601
Legua Dc
Pub

João Gabriel Silva: “Coimbra tem um futuro promissor na área da tecnologia e da inovação”

Numa organização conjunta da Câmara Municipal, do Instituto Pedro Nunes e da Impact, o Coimbra Tech Challenge vai juntar nesta cidade, de 19 a 23 de outubro, várias startups, empresas estabelecidas e investidores.

Em que consiste o Coimbra Tech Challenge, que vai decorrer nesta cidade de 19 a 23 de outubro?

De 19 a 23 de outubro vamos receber em Coimbra startups internacionais muito promissoras, que estão a pensar fixar-se no espaço da União Europeia. Vamos tentar que algumas escolham instalar-se em Coimbra. Para tal, a cidade vai transformar-se num palco para o futuro. Não se trata de uma conferência tradicional, mas sim de uma experiência dirigida a essas startups, assente numa agenda repleta de atividades, incluindo workshops, palestras, competições de ideias, feiras e networking.

Queremos que o Coimbra Tech Challenge seja um acelerador de oportunidades, um ponto de encontro onde se discutem as tendências tecnológicas mais relevantes, se criam pontes entre as startups com origem noutras latitudes, o nosso mundo académico e o ecossistema tecnológico, empresarial e, por que não, cívico, que existe em Coimbra. 

Quais são as entidades envolvidas na organização e o que as motivou para a realização deste evento?

O Coimbra Tech Challenge é um verdadeiro exemplo de colaboração. É uma organização conjunta da Câmara Municipal de Coimbra, do Instituto Pedro Nunes (IPN) e da Impact, uma empresa americana gerida por uma portuguesa cuja vida profissional decorreu quase totalmente fora de Portugal, no mundo das empresas, e dispõe de uma enorme rede de contactos que nos ajuda na difícil tarefa de conseguir o contacto inicial com startups com grande potencial. A eles juntam-se empresas nacionais líderes, como a Brisa, Visabeira, Morais Leitão, Noesis, NOS, Santander e Semapa, entre outras. A ideia surgiu porque o contexto empreendedor, científico e inovador de Coimbra já tem um relevante nível internacional, o que lhe permite atrair startups de fora de Portugal. No Instituto Pedro Nunes acolhemos várias, oriundas de países como o Brasil, África do Sul, Estados Unidos da América e Reino Unido, entre outros, que tomaram a iniciativa de nos contactar, que nós acolhemos e decidiram ficar. Mas até agora o contacto inicial tem partido dessas startups; a ideia do Coimbra Tech Challenge é nós tomarmos a iniciativa de as convidar para se virem cá instalar o que, esperamos, permitirá aumentar muito o seu número e reforçar bastante o ecossistema inovador de Coimbra. 

 

 

"O nosso alvo principal são as startups que querem entrar no mercado europeu e ainda não escolheram em qual país da União Europeia se vão instalar"

O nosso alvo principal são as startups que querem entrar no mercado europeu e ainda não escolheram em qual país da União Europeia se vão instalar, na esperança de que algumas escolham Coimbra como a sua porta de entrada na Europa. A atração de startups internacionais permite ajudar a reter talento em Coimbra, atrair talento de outros locais, fortalece o ecossistema empresarial e ajuda a colocar Coimbra no mapa internacional da inovação tecnológica. No fundo, todos nós partilhamos a visão de que Coimbra tem um futuro promissor na área da tecnologia e da inovação. Este evento é a nossa forma de agir, de construir esse futuro, em conjunto.

João Gabriel Silva 10

Que resultados são esperados deste Coimbra Tech Challenge?

Os resultados que esperamos alcançar com o Coimbra Tech Challenge são ambiciosos e multifacetados. Não se trata apenas de números, mas de um impacto tangível e duradouro no ecossistema de Coimbra.

Em primeiro lugar, queremos continuar a reforçar a ligação entre a academia e o mercado de trabalho. Ora, este evento servirá como um catalisador para a criação de mais estágios e oportunidades de emprego em novas startups e empresas que se queiram instalar em Coimbra. Queremos muito inverter o paradigma que acontece neste momento na nossa cidade: Em vez de estarmos a gerar mão de obra altamente qualificada para exportar para outras cidades e países, queremos muito que esse talento fique cá e, para isso, procuramos é dar mais e melhores condições às startups, nacionais e internacionais, para se instalarem em Coimbra. Em segundo lugar, pretendemos posicionar Coimbra como um polo de inovação e tecnologia. Ao juntar startups, empresas estabelecidas e investidores, esperamos que o evento promova a criação de novas parcerias e projetos. O Coimbra Tech Challenge será um palco para mostrar a capacidade tecnológica da nossa região, atraindo a atenção de investidores e de outras empresas que possam considerar instalar-se aqui.

"A nossa cidade já não se resume ao seu passado universitário e histórico, tem um presente e um futuro em que a tecnologia, o talento e a capacidade de inovação são os pilares"

Quantos participantes estão confirmados, de que áreas empresariais e de que países provêm?

A adesão ao Coimbra Tech Challenge tem superado as nossas expectativas. Contamos com a participação de cerca de 100 candidaturas, um número que reflete o interesse e a relevância do evento. As empresas e os talentos que se inscreveram provêm de diversas áreas do globo, sendo a Ucrânia, Reino Unido, Índia, Israel e África do Sul os países mais representados, demonstrando a abrangência e o impacto da iniciativa.

As candidaturas estão divididas por setores, com destaque para a Sustentabilidade – Clima, Agricultura e Futuro da Alimentação, que representa a maior fatia, com 29% das propostas. A seguir, destacam-se áreas cruciais para o futuro, como a Saúde (13%), a Mobilidade (11%) e a Energia (8%). A Indústria 4.0 (7%) e as Tecnologias e Telecomunicações (7%) também marcam uma presença forte, o que espelha as grandes prioridades de inovação no mercado global.

 

Coimbra reúne condições, de infraestruturas e competitividade, para atrair o género de empreendedorismo internacional que este evento pretende alcançar?

Sim, a Coimbra de hoje tem condições e o Coimbra Tech Challenge é uma prova disso. A nossa cidade já não se resume ao seu passado universitário e histórico, tem um presente e um futuro em que a tecnologia, o talento e a capacidade de inovação são os pilares.

Acredito que reunimos as condições ideais para atrair o empreendedorismo internacional por várias razões. A Universidade de Coimbra é formadora de talento de excelência, reconhecido mundialmente. A nossa capacidade de gerar engenheiros, investigadores e cientistas altamente qualificados é a nossa principal vantagem competitiva. Repare, quatro das seis maiores empresas a operar em Portugal na área das TI, têm origem na Universidade de Coimbra e no IPN: a Feedzai, a Critical Software, a Wit Software e a Critical TeckWorks são um exemplo do potencial enorme que temos no nosso ecossistema e que temos de continuar a saber aproveitar e escalar.

O IPN tem sido um motor na criação desse ecossistema de inovação e o nosso trabalho diário em apoiar startups e empresas de base tecnológica, facilitando o seu crescimento e a sua ligação ao mercado global está consolidado, e o Coimbra Tech Challenge é, também por isso, uma forma de crescimento.Depois temos também aquilo que a própria cidade tem para oferecer, que é uma qualidade de vida e um custo mais acessível comparativamente a Lisboa ou Porto. Para um empreendedor ou uma equipa que queira estabelecer-se, esta é uma vantagem considerável. A que acrescentamos, naturalmente, a nossa centralidade, mas isso é o evidente aos olhos de todos.

A história de ambos os protagonistas é sobejamente conhecida e escrutinada por todos; nenhum de nós está no lugar que ocupa por ser irmão do outro

O Coimbra Tech Challenge esteve agendado para o período de 15 a 19 de junho deste ano. Quais as razões do adiamento e que implicações teve a alteração de datas, nomeadamente em custos de organização?

O Coimbra Tech Challenge esteve, de facto, agendado para o passado mês de junho. No entanto, fomos confrontados com uma situação inesperada e complexa que nos levou a tomar a decisão de adiar o evento: uma parte relevante das empresas e das startups que iriam participar, e que se destacavam pela sua qualidade, provinham do Médio Oriente e da Ásia. Infelizmente, a escalada do conflito entre Israel e o Irão provocou uma grande perturbação nas ligações aéreas que coincidiu com as datas originais, gerando grande incerteza quanto às viagens e à segurança. Não podíamos fazer o evento com parte das startups ausentes. Priorizamos a qualidade e o impacto do evento em detrimento do cumprimento de uma data. A decisão de adiar, embora difícil, foi a mais sensata para garantir que o Coimbra Tech Challenge se realiza com o sucesso e a projeção que merece. Os custos de organização foram ajustados, permitindo-nos reinvestir os recursos na edição de outubro e na garantia de que teremos a participação que nos propomos.

Não houve da parte da organização algum receio, tendo até em conta a sua ligação familiar ao atual presidente da Câmara de Coimbra, de que o adiamento para data próxima das eleições pudesse gerar críticas de aproveitamento político da iniciativa por parte do atual poder autárquico? Sendo organizador do evento, isso afeta-o de algum modo?

O adiamento do Coimbra Tech Challenge para o mês de outubro foi uma decisão puramente técnica, tomada em função dos fatores que já mencionei, com o objetivo de garantir a qualidade e o sucesso do evento. Eu preferia que a guerra Israel/EUA - Irão não tivesse acontecido, e que o evento tivesse ocorrido em junho, mas isto são fatores que não controlamos. O timing das eleições autárquicas não foi, de modo algum, um fator considerado na nossa decisão de adiar, e a nova data é posterior às eleições.

A Câmara de Coimbra, parceira do IPN desde a sua fundação, tem vindo a aprofundar a sua colaboração connosco, com um reforço significativo das relações institucionais a partir do anterior mandato autárquico. O percurso de quem dirige ambas as instituições é meramente circunstancial. A história de ambos os protagonistas é sobejamente conhecida e escrutinada por todos; nenhum de nós está no lugar que ocupa por ser irmão do outro. E os objetivos de ambas as instituições vão muito além daqueles que, volto a dizer, circunstancialmente, as dirigem. Se esses objetivos se cruzam, como é o caso, então não devemos deixar de fazer as coisas só porque há uma relação familiar entre duas pessoas que dirigem as instituições em causa. Isso seria prejudicar a missão de ambas as instituições e, da mesma forma que acho que ninguém deve ser beneficiado por ser familiar ou amigo de A, B ou C, também acho que não se pode prejudicar um objetivo comum, por inação, baseado no mesmo tipo de argumentação.

Setembro 16, 2025 . 13:55

Partilhe este artigo:

Junte-se à conversa
0

Espere! Antes de ir, junte-se à nossa newsletter.

Comentários

Fundador: Adriano Lucas (1883-1950)
Diretor "In Memoriam": Adriano Lucas (1925-2011)
Diretor: Adriano Callé Lucas
95 anos de história
bubblecrossmenuarrow-right