
Dignidade de estruturas de saúde, acessos universais ou recuperação dos Covões preocupam candidatos à Câmara de Coimbra
Os sete candidatos à presidência da Câmara de Coimbra debateram ontem o setor da saúde, com reflexões de âmbito nacional e local, a convite da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos e da Liga dos Amigos dos Hospitais da Universidade de Coimbra.
A recuperação da funcionalidade do Hospital dos Covões, desconcentração de unidades de saúde familiares ou políticas de habitação e de transporte que promovam a saúde foram alguns dos assuntos em destaque num debate com moderação do jornalista João Bizarro.
Ana Abrunhosa identificou, em primeiro lugar, a necessidade de garantir que todos os cidadãos da cidade e das freguesias rurais têm acesso aos cuidados em plano de igualdade. A líder da coligação Avançar Coimbra entende que compete à Câmara sinalizar as dificuldades e providenciar transportes aos locais mais distantes.
Outra preocupação prende-se com «a dignidade» das instalações para utentes e profissionais de saúde. Sem o objetivo de criticar, disse, a candidata recordou a oferta de ventoinhas ao Centro de Saúde Norte de Matos, ou as infiltrações, para acentuar que as estruturas precisam de intervenção urgente.
Ainda em matéria de dignidade, apontou o funcionamento do Centro de Saúde de Celas em contentores, sendo da opinião que poderia ter um espaço no antigo Pediátrico, para onde, de resto, a coligação liderada pelo PS pretende instalar «um campo de vida» ligado ao envelhecimento saudável e ativo.

Francisco Queirós sustenta que a saúde é uma competência da administração central. Desde sempre contra a descentralização do setor, até por não vir acompanhada dos adequados recursos financeiros, o que coloca em causa a universalidade do serviço, o candidato da CDU defende que as câmaras municipais devem promover políticas de vida com impacto na saúde, dando, entre outros exemplos, a habitação, mobilidade ou espaços verdes.
José Manuel Pureza
Sendo o SNS uma honra e uma referência para Coimbra, o candidato do Bloco de Esquerda sublinha o “descasamento” entre cuidados hospitalares e promoção da saúde. Já depois de referir o esvaziamento do Hospital dos Covões, José Manuel Pureza falou em «ausência total», por parte do município, na planificação da manutenção das estruturas de saúde, ou «inação» nas localizações das unidades de saúde familiar (USF) e na reivindicação da inclusão da saúde mental nos cuidados primários. A autarquia tem, na sua opinião, o poder de tomar iniciativas e de sugerir USF para, por exemplo, a Solum ou para a Conchada. A Câmara, disse, está «em letargia» na área
da saúde.
José Manuel Silva, atual presidente e recandidato pela coligação Juntos Somos Coimbra, advogou que é preciso reforçar a atratividade para todas as profissões do SNS, porque numa organização o mais importante são as pessoas. Que têm de ser valorizadas, afirmou, vincando que é um problema de toda a administração pública, inclusive com uma «coisa perversa»: a administração central a tirar profissionais da administração local.
«Os doentes precisam cada vez mais de ser defendidos», afirmou, ao notar que as acessibilidades são mais complexas, os seguros sobem e quando os segurados gastam o “plafond” «são chutados para o SNS».
Ao nível concelhio, José Manuel Silva lembrou que a aceitação da descentralização nesta área decorreu de um imperativo nacional [caso não houvesse aceitação pela maioria dos municípios perdiam-se verbas comunitárias], mas representa uma sobrecarga brutal na contratação pública e uma sobrecarga de trabalho, sem o financiamento adequados, referiu, ao frisar que o município tem hoje menos trabalhadores do que em 2013. O líder da coligação liderada pelo PSD assinalou o projeto iniciado para reabilitação do Centro de Saúde Norton de Matos, logo no início da transferência de competências, e o apoio às freguesias na reabilitação de extensões de saúde. «Mas não se pense que a Câmara consegue acorrer a todas as necessidades… não tem receita», afirmou.
Maria Lencastre Portugal
Para a candidata do Chega em Coimbra, a profissão de médico não pode ser vista apenas pelo fator de remuneração ou de estatuto social, mas para servir quem precisa. Maria Lencastre Portugal sugeriu, para atenuar a sobrelotação das urgências dos Hospitais da Universidade de Coimbra, o atendimento permanente em centros de saúde, propondo, como exemplo, alternância entre o Centro de Saúde de Santa Clara e o Centro de Saúde Norton de Matos, que teriam de ser dotados de meios de diagnóstico para primeira avaliação. Isto, afirmou, «sem esquecer o Hospital dos Covões», com uma urgência bem dotada de equipamento.
Sancho Antunes
O cabeça de lista em Coimbra da Alternativa Democrática Nacional, Sancho Antunes, acredita que a Câmara pode fazer mais em matéria de proximidade aos cuidados de saúde, com um sistema de ligação. Sobre o Hospital dos Covões entende que «tem de voltar a ter vida», com urgências 24 horas por dia ou como unidade de cuidados continuados, que também poderia ser instalada no antigo Pediátrico. O SNS tem de mudar a ideia de cuidados primários, acrescentou, ao notar que hoje em dia gastam-se milhões de euros em medicamentos na área da saúde mental. Devia haver serviços nessa área nos cuidados primários, defendeu.
Tiago Martins
O último a intervir foi Tiago Martins, da Nova Direita. O candidato de 33 anos lembrou que Coimbra tem, na área da saúde, uma grande responsabilidade regional. Ainda a ganhar bagagem política, como o próprio afirmou, abordou várias questões, entra as quais a “fuga” de equipamento do Hospital dos Covões ou o estacionamento hospitalar.












