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Fisioterapia não é só tratar lesões... tem papel fundamental para uma vida saudável

Dia Mundial da Fisioterapia: Tem impacto em toda a população mas é em contribuir para um envelhecimento saudável que a sua importância se intensifica. “Educar a população para a efectividade” da Fisioterapia, “demonstrada cientificamente” é fundamental

«Existe ainda um mito generalizado de que a Fisioterapia só serve para problemas musculares e articulares». Mas não. «A Fisioterapia não se limita a tratar lesões, ela ajuda a prevenir, recuperar e potenciar capacidades, contribuindo para uma vida mais saudável, independente e plena».

As palavras são de Anabela Martins professora coordenadora do curso de Fisioterapia da Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Coimbra (ESTeSC) e mais do que justificam a pertinência de se assinalar o Dia Mundial da Fisioterapia, que hoje se celebra.

É «fundamental educar a população para a sua efetividade, demonstrada cientificamente, nas áreas cardiorrespiratória, neurológica, pediátrica, oncológica, saúde pélvica e em contextos, incluindo a saúde pública», acrescenta a especialista, para sublinhar a importância de aumentar a literacia na população nesta área, que, como diz, «favorece o bem-estar físico e mental, promove autoestima e confiança o que, consequentemente, tem repercussões na qualidade de vida».

Com impacto em toda a população, a Fisioterapia está intimamente relacionada com a temática do envelhecimento. Aliás, a edição deste ano do Dia Mundial da Fisioterapia, é precisamente o envelhecimento saudável, com foco especial na prevenção de quedas e fragilidade. E há, de acordo com Anabela Martins, «mensagens-chave» que são importantes de serem passadas num dia como o que hoje se assinala.

Por um lado, a previsão de que, em 2050, mais de dois milhões de pessoas terão 60 ou mais anos, sendo o envelhecimento populacional um dos maiores desafios de saúde pública do nosso tempo. Como tal, «o exercício regular é fundamental para prevenir doenças crónicas, quedas, declínio cognitivo e fragilidade física», considera.

Fisioterapia com “lugar de destaque”

É aqui que a Fisioterapia ganha um lugar de destaque, uma vez que «ajuda a manter a mobilidade, a autonomia, a confiança no movimento e a melhorar a qualidade de vida», diz a responsável, sublinhando particularmente o «papel determinante» da Fisioterapia na prevenção e na recuperação funcional das quedas, «em particular aquelas que acontecem em idades mais avançadas».

«Os fisioterapeutas são especialistas na prescrição de programas de exercícios individualizados para ajudar a melhorar a força, equilíbrio, coordenação e flexibilidade», pode ler-se em informação disponível a propósito do Dia Mundial da Fisioterapia e divulgada a nível internacional. E, caso haja dúvidas quanto ao seu impacto positivo, sublinhe-se que os fisioterapeutas podem também «ensinar como realizar atividades diárias em segurança» e tão simples como levantar-se de uma cadeira ou subir escadas.

São também os fisioterapeutas quem melhor pode avaliar se um sénior precisa de um andarilho ou de uma bengala, assim como fornecer recomendações para tornar a casa mais segura, aconselhar calçado adequado ou ajudar a identificar quando pode ser necessário o apoio de outros membros da equipa de profissionais de saúde.

“Interesse elevado” na área pelos jovens

A importância da Fisioterapia também se pode “medir” pelo interesse revelado pelos jovens em optarem profissionalmente por esta área e, de acordo com Anabela Martins, «tanto em Portugal como a nível internacional» o interesse pela Fisioterapia «é elevado», com a ESTeSC a manter «uma procura sólida, e com notas de corte elevadas».

«Quando ao final do curso, a maioria expressa o desejo de prosseguir estudos de pós-graduação ou especializações, com interesse marcado em áreas musculoesquelética, neu­rológica, cardiorrespiratória, pediátrica, saúde pélvica ou envelhecimento, para aprofundar conhecimentos», remata a responsável.

“De Caloira a avó em 5 minutos”

Anabela Martins

ESTeSC assinala o Dia Mundial a sensibilizar alunos para as limitações do envelhecimento

Hoje assinala-se o Dia Mundial da Fisioterapia e a oportunidade é a ideal, não só para educar a comunidade e dar visibilidade à profissão, mas também para «desconstruir ideias erradas que ainda persistem sobre o papel do fisioterapeuta e o seu impacto na vida das pessoas e sociedade em geral».

Por isso, na ESTeSC, o dia será dedicado à atividade “De Caloira(o) a Avó(ô) em 5 Minutos” que pretende, precisamente «sensibilizar os estudantes, particularmente os alunos que estão a chegar ao curso, e restante comunidade, para as limitações associadas ao envelhecimento e para o papel dos fisioterapeutas na promoção do movimento, autonomia, saúde ao longo da vida e prevenção de quedas».

Uma iniciativa que recorre a várias estratégias e equipamentos, que simulam a perda ou redução de visão, audição, força muscular, equilíbrio, destreza manual, rigidez articular, assim como a utilização de auxiliares de marcha.

Nesta iniciativa, que está também integrada no programa do arranque do novo ano letivo da ESTeSC, serão, de acordo com Anabela Martins, os estudantes dos 2.º, 3.º e 4.º anos, que vão orientar os caloiros ao longo de um percurso que dura cerca de cinco minutos, enquanto os outros estudantes observam e registam a perceção dos mesmos em relação às dificuldades sentidas.

A atividade decorre nos espaços da escola e irá consciencializar «para a importância do rastreio precoce dos fatores de risco das quedas e da fragilidade, assim como dos programas de exercício físico personalizados para prevenir esses riscos e atenuar as limitações das atividades e restrições na participação social».

Esta experiência que envolverá toda a comunidade será registada em fotografia e vídeo, para depois vir a ser partilhada nas redes sociais da ESTeSC (Instagram e Facebook).

Setembro 8, 2025 . 12:28

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