
De Coimbra a Assafarge, num passeio inclusivo para “despertar consciências”
Quando tinha 18 anos, Jorge Caetano sofreu um acidente de viação que o “atirou” para uma cadeira de rodas. Na “flor da idade”, foi obrigado a «seguir a vida, sentado», mas «sem ressentimentos». Administrativo na Fundação ADFP, em Miranda do Corvo, há 35 anos, não nega que deixar de andar foi «um choque», mas a determinação que encontrou para «dar a volta e seguir» faz com que viva com serenidade, porque «não há hipótese de ficar parado».
Hoje, apesar da chuva miudinha que insistia em cair durante a manhã, Jorge Caetano foi um dos que se juntou ao 7.º Passeio Adaptado “Os Rodinhas”, que saiu da sede da associação, no Bairro da Rosa, numa viagem até Assafarge, onde decorreu um almoço de confraternização e uma visita pelos fontanários.
Do Montijo chegou Cipriano Matias, que já tinha participado num dos primeiros passeios organizados pela associação Os Rodinhas de Portugal. Seis anos depois, voltou para um percurso com cerca de 35 quilómetros.
Com deficiência física, Cipriano é técnico de eletrónica e criou um propulsor com autonomia para 100 quilómetros. Com este equipamento «único» acoplado à cadeira de rodas lá seguiu viagem, sorridente e certo de que valeu a pena vir até Coimbra passar um domingo diferente.
Mas, o passeio promovido pela associação Os Rodinhas, como inclusivo que é, para além de cidadãos em batec (cadeiras de rodas com propulsor elétrico), contou com a participação de pessoas sem deficiência, que fizeram o caminho em bicicleta ou de trotinete.
Antes da partida, Paulo Paiva, presidente da direção d’Os Rodinhas de Portugal, adiantou ao Diário que se inscreveram na iniciativa cerca de 120 pessoas.
«Cada passeio que fazemos tem um tema. O que queremos mostrar à sociedade civil é que não é por nós andarmos numa cadeira de rodas que não conseguimos colocar eventos de pé. Dêem-nos oportunidades, que nós, com trabalho, conseguimos tanto como os outros», salientou Paulo Paiva, antes de se fazer ao caminho.
Paulo Paiva teve poliomielite aos cinco anos e bem se recorda que, quando começou «a despertar para a vida, em termos de acessibilidades, era muito mais arcaico do que o que é hoje», salientou.
«Havia muito mais limitações, uma pessoa em cadeira de rodas estava muito mais limitada», recordou, ao salientar que «há muita coisa ainda a fazer, em termos de barreiras arquitetónicas», mas que se sentem melhorias.
«Coimbra é uma cidade difícil, mas também temos de ser sinceros: nunca vai estar tudo perfeito. O que é importante é despertarmos consciências e aqueles que têm a responsabilidade de poder fazer acontecer, estarem sensíveis», continuou Paulo Paiva, realçando a importância de «uma sociedade inclusiva» em que «todos têm as mesmas oportunidades»











