
Dinheiro vai ser entregue aos bombeiros no prazo de duas semanas
A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Coja, gastou uma verba superior a 150 mil euros, no incêndio que lavrou no concelho de Arganil, no mês de agosto, em combustível e alimentação, uma vez que foi esta corporação que assumiu a logística do incêndio, fornecendo combustível e comida às corporações congéneres que estiveram a combatê-lo. Verba essa que a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil vai pagar na totalidade, num prazo de cerca de duas semanas, tendo para já, adiantado, cerca de 50 mil euros a esta corporação de bombeiros.
O anúncio foi feito, ontem, por Rui Rocha, secretário de Estado da Proteção Civil, que reuniu com Luís Paulo Costa, presidente da Câmara Municipal de Arganil e representantes dos Bombeiros Voluntários de Arganil e Coja, numa visita que englobou também uma passagem pela cidade de Seia, onde reuniu com os presidentes das Juntas de Freguesia de Alvoco da Serra, Teixeira, Loriga e União de Freguesias de Vide e Cabeça, tendo ainda reunido no quartel dos Bombeiros Voluntários de Loriga, com as corporações de Seia, São Romão e Loriga. No final da tarde, deslocou-se ainda ao Sabugal, reunindo com a corporação desta localidade e da localidade de Soito.
Agradecendo o “empenho, dedicação e disponibilidade” quer das Associações Humanitárias de cada concelho, quer dos autarcas, o representante do governo informou que, efetivamente, à semelhança do que está a ser feito noutras áreas, a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil “tem a agilização de processos para o ressarcimento de despesas”, contrariamente ao que acontecia antigamente e, em alguns casos, “permitir um adiantamento no limite de 50 % o que corresponde a 100% de despesas ilegíveis em combustíveis e alimentação”. Ou seja, na generalidade, os bombeiros, que um pouco por todo o país, foram assumindo a logística dos incêndios, este Verão, vão receber no imediato, cerca de 50% do valor gasto, até 100 mil euros, sendo o restante pago posteriormente.
“É um pouco para que depois de toda a perturbação que foi este teatro de operações do ponto de vista processual e administrativo, as associações saibam que estamos cá para sermos parceiros, numa relação de confiança e de entreajuda, para resolver os problemas decorrentes daquilo que foram os incêndios”, sublinhou Rui Rocha, numa reunião que também contou com as presenças de José Manuel Moura, presidente da ANPC e António Nunes, presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses.
“O que temos dentro do dispositivo normal e anual é esta questão das despesas extraordinárias que, no passado, demoravam nalguns casos tempo mais do que suficiente para fazer esse ressarcimento e aquilo que pretendemos é que isso seja feito no imediato, dentro do menor espaço de tempo possível”, acrescentou o secretário de Estado da Proteção Civil, salientando que “já tivemos vários pedidos designadamente de adiantamento e que em poucos dias estarão disponíveis nas contas bancárias das respetivas associações”.
Ainda assim, declarou Rui Rocha, “o grande desafio é a prevenção”, lembrando que o governo aprovou há pouco tempo, um Plano de Intervenção da Floresta, que, “tem um conjunto de medidas muito relevantes para aquilo que é a montante do combate”, acrescentando que “iremos fazer a avaliação no final de outubro, mas a prevenção é algo que deve ser sempre, uma das nossas preocupações permanentes”. Por outro lado, afirmou, “um dispositivo que deve estar na máxima prontidão e nível de empenhamento, para dar resposta ás ocorrências que nós, muitas vezes, não as conhecemos, é a informação dos Comandantes que, não têm memória de incêndios com esta velocidade de propagação, esta intensidade”. “Temos de estar todos convocados, desde o cidadão, às autarquias, o governo, para fazer tudo o que esteja ao nosso alcance para minimizar a possibilidade de os incêndios ganharem esta dimensão, por isso vamos também fazer esta avaliação”, concluiu.
Por seu turno, Luís Paulo Costa, reforçou que de facto, “há uma preocupação recorrente dos bombeiros, nomeadamente aqueles que asseguram a logística em grandes incêndios como é o caso do nosso, desde a questão da alimentação e combustíveis”, acrescentando que efetivamente, no caso deste “grande incêndio de Arganil essa logística foi assegurada pelos bombeiros de Coja e estamos a falar de, entre alimentação e combustíveis, valores muito superiores a 150 mil euros”. E, “naturalmente, estas nossas associações, não têm disponibilidade financeira para assumir estas despesas extraordinárias”, frisou, congratulando-se pelo facto da ANEPC, proceder ao pagamento na totalidade dos gastos que estes bombeiros tiveram, (alem do adiantamento que já receberam). “Os bombeiros de Coja, para além do adiantamento para fazer face a estas despesas, que já foi anunciado, num horizonte temporal muito curto, mediante a submissão das despesas, a ANEPC vai proceder também, ao pagamento da totalidade”, e isso, declarou, “é muito importante, pois era uma das preocupações que estávamos a sentir por parte dos bombeiros, particularmente dos de Coja que assumiram estas despesas”. Em seguida, adiantou ainda o presidente da autarquia de Arganil, “vai ter de ser aberto um período de reflexão, discussão e avaliação sobre o que correu melhor nestes grandes incêndios e aquilo que não devia ter acontecido”, destacando que a Câmara “tem aqui também algumas situações que vai sinalizar, mas há esta preocupação de tentar que no futuro não aconteçam os mesmos erros”.











