
Safra à moda antiga conquistou famílias portuguesas e estrangeiras
Agosto teve “sabor a sal”. Foi um mês repleto de atividades diversificadas para celebrar o 18.º aniversário do Núcleo Museológico do Sal - Quinta Ciência Viva do Sal, em Armazéns de Lavos. O culminar do programa aconteceu durante o dia de ontem, com destaque para uma safra à moda antiga. De pés descalços, com trajes vestidos a rigor, os homens encheram as cestas com sal e as mulheres levaram-nas à cabeça da salina para o armazém.
A recriação transportou ao passado as largas dezenas de famílias presentes, entre portuguesas e estrangeiras, permitindo que testemunhassem a relação secular entre os marnotos e as salinas.
O salgado da Figueira da Foz distribui-se por três regiões, designadamente, Ilha da Morraceira, Lavos e Vila Verde, onde os marnotos desenvolveram uma tecnologia milenar em que a mecanização é praticamente inexistente, compreendendo uma utilização otimizada e sustentável dos recursos naturais, nomeadamente, a água, o vento, o sol e a argila. «Não se deve deixar de fazer este tipo de atividades, porque vamos perder uma mais-valia», frisou Carlos Moreira, em declarações ao Diário de Coimbra.

Marnoto há 11 anos na Quinta da Salina do Morro, dá continuidade ao trabalho dos pais e dos avós. «Sempre fui comercial toda a minha vida e podia continuar a sê-lo, mas estou nisto por capricho. Estou lá e estou aqui para mostrar às pessoas o que é que o marnoto fazia e para não se perder esta tradição. Senão os miúdos nunca iriam saber o que é sal grosso e sal fino, senão as pessoas não iriam saber o que é sal bom», comentou o responsável, que ontem assumiu o papel de um dos figurantes na safra do “ouro branco”.
«Entretanto, mais uns anos e isto vai acabar. De ano para ano vão desaparecendo marnotos e não há quem vá substituir. Depois as salinas vão ficar em pousio meia dúzia de anos e, a partir daí, entra em degradação e já será muito complicado conseguir sal», lamentou ainda Carlos Moreira

Não obstante, a tradição ontem esteve bem viva, com várias pessoas, entre adultos e crianças, a juntarem-se à safra para levarem o sal à cabeça e vivenciarem a experiência.
«À semelhança de anos anteriores, tivemos um programa para diferentes públicos, com atividades diversificadas, sendo maioritariamente gratuitas, e temos tido uma adesão incrível», garantiu Manuela Silva, chefe de serviço de Museu e Núcleos do Município da Figueira da Foz, avançando que, só em agosto, o Núcleo Museológico do Sal recebeu mais de 2.500 visitantes.
«É um mês que já não precisa de grande divulgação, porque ele já por si acontece e as pessoas já estão à espera dele. Na verdade, já temos público fidelizado. Depois esse público acaba por trazer outras pessoas e a adesão tem sido cada vez maior», indicou a responsável. E acrescentou: «Este é o nosso maior mês, mas todo o ano decorrem atividades. As pessoas já têm a noção de que aqui as atividades são diferentes, porque o espaço permite sensações e experiências que não há em outros equipamentos culturais. Aqui, proporciona-se todo um momento de lazer, mas também de pedagogia, aprendizagem e partilha de conhecimentos».
Várias atividades para
De entre os vários pontos de interesse neste local, destaque para o Núcleo Museológico do Sal, a Salina Municipal, o espaço do pedário, a zona da salicórnia, o observatório de aves e o moinho das Doze Pedras. Durante o horário de verão, até dia 15 deste mês, o Núcleo Museológico do Sal funciona de quarta-feira a domingo, das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 17h00.
Já a Rota das Salinas não tem dia nem hora marcada para ser visitada. Incluída no projeto transversal “Mar e Zonas Dunares”, da Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra, com 4,6 quilómetros, é um percurso circular de beleza natural, que se desenvolve no estuário do Mondego, entre salinas seculares e tanques de piscicultura. Apesar da perda de importância que a extração de sal sofreu na década de 70, o Município da Figueira da Foz adquiriu e ativou a Salina do Corredor da Cobra, onde se desenvolve parte da rota, com o propósito de preservar o valor histórico e cultural deste legado.










