
Empresária “triste e abandonada” resiste após o incêndio
Aproveitando a visita da Ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, ao território afetado pelo grande incêndio de Piódão, no concelho de Arganil (tal como noticiámos na edição de ontem, quarta-feira), Carla Brito, uma empresária da localidade de Pardieiros, confrontou a governante com um pedido de “socorro” depois dos prejuízos deixados pelo fogo.
«Residir e resistir neste território é insuportável. Eu sei que escolhi residir aqui e apostar neste território, mas é importante dar esperança a quem escolhe viver aqui», defendeu Carla Brito.
Com um alojamento e restaurante na localidade de Pardieiros, no concelho de Arganil, a empresária avançou que já tem quebras de «50% na restauração» e os cancelamentos no seu alojamento local já ascenderam os «cinco mil euros de prejuízo».
A Serra do Açor foi gravemente afetada e destruída com o incêndio que teve início no dia 13 de agosto em Piódão e se o verão é um “balão de oxigénio” para os agentes económicos locais, um incêndio desta dimensão deixa marcas no território e no turismo prolongadas.
«Um território destes vive da paisagem, mas também das pessoas que escolhem viver e sobreviver aqui», disse, referindo-se também à comunidade de estrangeiros que tem reabitado alguns locais deste território. «Isto não tomou proporções maiores, porque temos uma comunidade muito grande de estrangeiros que recuperaram casas e reflorestaram o território à custa dos próprios», defendeu.
Visivelmente emocionada por ver a Serra do Açor quase reduzida a cinzas, Carla Brito apelou à ministra que «pense num ordenamento do território» que evite que num espaço curto de tempo a floresta seja destruída pelos incêndios.
Empresária de Pardieiros viu a faturação do seu restaurante cair 50% depois do incêndio
«Acho que a senhora ministra tem agora a oportunidade de promover um ordenamento do território que permita, de uma vez, transportar, transpor estes eucaliptos, fazer linhas de contenção que evitem que a floresta arda assim», explicou.
Ressalvando que não é técnica, mas sim uma «apaixonada pela Serra do Açor» pediu à ministra que o Governo olhe com outros olhos para o interior do país. «Sei que não é a sua tutela, mas leve as minhas palavras até Lisboa», apelou a empresária.
Numa reunião que juntou a ministra, representantes do ICNF e autarcas, a empresário dirigiu uma palavra a Luís Paulo Costa, presidente da Câmara Municipal de Arganil. «Enquanto agente económico local sinto-me triste, sozinha e abandonada. (...) Até hoje não tive um telefonema para me perguntar se precisava de alguma coisa», disse.
«Perdoe-me, mas o interior tem de ser valorizado», acrescentou.

Incêndios em Arganil consumiram 40% do concelho
O município de Arganil revela que o incêndio, que deflagrou na aldeia de Piódão a 13 de agosto, devastou cerca de 11.800 hectares, o que corresponde a cerca de 40% do território do concelho. As freguesias mais afetadas foram Piódão, Benfeita, Pomares, Cepos e Teixeira, Vila Cova de Alva e Anceriz.
A Câmara Municipal de Arganil já arrancou com o levantamento dos prejuízos, revelando, em comunicado de imprensa, que os principais objetivos são garantir o bem-estar da população, «identificar os danos e estimar os custos das intervenções necessárias», em conjunto com as Juntas e Uniões de Freguesia e a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDR Centro).
O presidente da autarquia, Luís Paulo Costa, realçou a importância da rapidez prestada pelos apoios que, ao contrário de 2017, desburocratizou o processo e permitiu que as medidas chegassem rapidamente às populações mais afetadas, ajudando-as «a recuperar, dentro do possível, o que perderam».
Além do levantamento dos danos, a Câmara Municipal de Arganil destaca os esforços no reabastecimento de água e o acompanhamento do impacto ambiental, que resulta em parceria com a Agência Portuguesa do Ambiente.
O trabalho de avaliação do município decorre até 8 de setembro, sendo que ontem esteve presente nas aldeias de Agroal, Foz da Moura, Vinhó, Pardieiros, Cerdeira e Moura da Serra. As próximas intervenções acontecem hoje, nas aldeias de Vila Cova de Alva, Anceriz, Valado, Casarias, Relva Velha, Parrozelos e Mourísia.











