
"Acreditei no título desde o primeiro jogo"
Diário de Coimbra | A que sabe a conquista deste título nacional?
Nuno Cruz | A mim sabe muito bem. O nosso trabalho começou já no ano passado, mas cheguei em cima da fase final. Tive pouco mais de uma semana para preparar a equipa que já tinha uma boa estrutura, tinha bons processos, as jogadoras são incríveis. Fizemos o melhor que conseguimos, mas ficou mesmo aquele sabor amargo. Sentimos que podíamos ter feito mais e fomos vice-campeões nacionais. Eu acreditava que com aquela equipa conseguia fazer muito mais, mas tinha de ter tempo para trabalhar. E a ideia passou a ser um bocadinho essa, com as jogadoras que estavam e se calhar com mais uma ou duas atletas podíamos ali acrescentar qualidade, fazer mais grupo, ter um maior entrosamento e, a partir daí sabíamos que podíamos ser campeões nacionais. Partimos desse pressuposto e, a partir daí, foi trabalhar e organizar estruturalmente. Nunca me faltou nada do que era necessário para conseguir fazer um bom planeamento de treinos e quando tudo está bem consolidado, o resultado só podia ser este mesmo.
Quando é que sentiu que a equipa estava toda focada no título e que essa meta podia ser mesmo real?
Honestamente, eu acreditei desde o primeiro momento. Acreditei no título mesmo desde o primeiro jogo da fase regular, no qual senti que a equipa estava mesmo ligada do início ao fim, desde o primeiro minuto até o último, esteve sempre ligada. A cada jogo e a cada treino, e foram muitos treinos, eu senti uma vontade enorme das atletas de aprenderem, de perceberem o que é que estava menos bem e o que é que se poderia ainda compor para se fazer mais e melhor, porque elas próprias também queriam muito isto. E é o que digo, quando as peças do puzzle se conseguem juntar, tinha tudo para correr bem, as coisas tornam-se mais fáceis, o trabalho é muito mais fácil.
Qual foi o jogo mais marcante nesta caminhada para o título nacional?
Eu vou dizer o contrário do que, se calhar, muitos diriam. Para mim, não foi o nosso melhor jogo, mas foi o jogo mais importante e esse foi mesmo o da nossa derrota com MR Football Academy. Foi, se calhar, o jogo em que a equipa sentiu que apesar da qualidade que tinha, teria de estar sempre no máximo. Ok, há muita qualidade aqui, mas nem ontem éramos as melhores do mundo, nem hoje somos as piores e por isso ainda temos que trabalhar mais. E eu aproveitei esse momento. Acho que hoje em dia, e isto é o meu ponto de vista, muito mais do que tecnicamente ou taticamente, considero que numa equipa de futebol, e isto prevalece no desporto em geral e na nossa vida, é muito mais importante a preparação mental. A este nível, as jogadoras têm muita qualidade técnica, taticamente elas também já conhecem muito bem o futebol de praia, muitas já jogam há algum tempo. Penso que dentro da qualidade que existe, fundamental é mais a parte mental, a garra, o querer ou não querer e isso, às vezes, é a diferença entre ganhar ou não ganhar, ou ficar ali a um pequeno passo de ser campeão, como no ano passado.
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