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Politécnicos dizem que novas regras vieram deixar de fora os menos favorecidos

As dificuldades com os custos de alojamento e a quebra demográfica são outras causas que impactam na atual situação, mas, segundo Maria José Fernandes, «não são os principais fatores para o cenário deste ano"

A redução de colocações nesta primeira fase deve-se às regras do novo modelo de acesso, diz Maria José Fernandes, presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP).

As dificuldades com os custos de alojamento e a quebra demográfica são outras causas que impactam na atual situação, mas, segundo Maria José Fernandes, «não são os principais fatores para o cenário deste ano, uma vez que as regiões de maior pressão demográfica são aquelas onde os impactos foram menores.

Estes resultados prendem-se, quase em exclusivo, com o novo modelo de aces­so», defende a presidente do CCISP, lembrando que o número de alunos a frequentar o 12.º ano não se alterou significativamente em relação a anos anteriores.

«Alertámos a tutela de que ao exigir mais provas de acesso e aumentando o peso das provas específicas, ao mesmo tempo que reduz todo o histórico do secundário, estávamos a criar barreiras a um conjunto significativo de alunos, sobretudo os oriundos de estratos mais desfavorecidos, cujas famílias não podem pagar a preparação para os exames», referiu, citada num comunicado.

Face a este panorama, Maria José Fernandes defende que o modelo seja alterado já no próximo ano letivo, para «evitar que esta tendência se prolongue, com consequências muito negativas para alunos e respetivas famílias que vêem cair o sonho legítimo de frequentar o Ensino Superior».

A situação, diz o CCISP, é particularmente gra­ve nas instituições de Ensino Superior localizadas no Interior, onde a queda do número de alunos coloca em causa a sustentabilidade de algumas áreas de formação.

«Estamos perante uma litoralização do Ensino Superior, que além de acentuar as assimetrias regionais, coloca em causa a coesão territorial e o legítimo acesso de todos os jovens ao Ensino Superior», sustenta Maria José Fernandes.

Em 2020, cerca de 62 mil alunos tentaram entrar no Ensino Superior na 1.ª fase e nos dois anos seguintes as candidaturas continuaram a rondar sempre os 60 mil. Agora, ficou abaixo dos 50 mil.

Agosto 24, 2025 . 08:45

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