
Gilberto de Campos celebrou 100 anos de uma vida cheia
Gilberto de Campos fez ontem 100 anos e a primeira impressão que transmite é a de que tem muitos menos. Rodeado de familiares e amigos, festejou o centenário com um almoço na Praxis e partilhou um pouco da sua vida de trabalho, que começou ainda adolescente.
Gilberto de Campos trabalhou no Diário de Coimbra ainda moço e, em breve conversa, foi “desfiando” nomes que trabalharam na sua época no jornal, como os jornalistas Penalva da Rocha, José Castilho ou Carminé Nobre.
Uma excelente memória que permitiu recordar como começou e o que fez no jornal, no tempo da impressão a chumbo.
Quando se misturavam as letras era uma complicação.
Entrou para a gestão de assinantes, mas «fiz uma asneira e de castigo mandaram-me para a redação», e lá andava com as letras de chumbo de um lado para o outro.
Também foi, por vezes, levar o jornal ao capitão Pina Cabral à Manutenção Militar, à censura, deixando perceber que havia formas de ultrapassar as dificuldades.
Mais tarde iria para uma fábrica de louça e chegou a trabalhar também em Alcobaça. Mas seria na Junta Autónoma de Estradas que passou a maior parte da vida laboral, cerca de 30 anos.
Acabaria por se aposentar antes da idade da reforma, devido aos muitos anos de trabalho.
Foi praticante de andebol de 11, modalidade que já não existe e que se jogava em terra batida

Natural de Coimbra, andou no Jardim Escola João de Deus, junto ao Jardim Botânico, na escola do Calhabé, num colégio na Rua Alexandre Herculano e na Avelar Brotero (ainda instalada na atual escola Jaime Cortesão).
Também praticou desporto, principalmente numa modalidade que já não existe, a de andebol de 11, com jogos no Calhabé ou no Loreto, na terra batida, recorda, sempre com um sorriso. E a saúde? «É uma dor aqui outra ali», vai dizendo, ao deixar uma certeza: aos 100 anos «não tenho pressa» de ir a lado nenhum, «quem quiser que vá andando».
Para chegar ao centenário não parece haver segredos. Mas deixa perceber que foi uma vida sem abusos e que ajuda não ter pressa de fazer as coisas. A boa disposição e o bom humor também.
Aliás, nem precisaria de o dizer, na conversa com o Diário de Coimbra ficou bem presente a urbanidade e gentileza de Gilberto de Campos que, ainda que solicitado durante umas horas por dezenas de pessoas, familiares e amigos, teve disponibilidade para contar um pouco da sua vida. Sem pressas e, lá está, sempre bem-humorado.
Casado com Maria Ermelinda, uns cinco anos mais nova, Gilberto de Campos tem duas filhas e duas netas.










