
Autarcas alertam para escassez de recursos no combate aos fogos
As chamas continuavam, ontem à noite, a lavrar com muita intensidade e em diferentes frentes ameaçando aldeias e povoações em Arganil e Oliveira do Hospital. Na Pampilhosa da Serra, segundo foi informando o presidente da Câmara Municipal, Jorge Custódio, não havia aldeias em risco, mantendo-se especial atenção nas aldeias de Covanca, Porto da Balsa, Camba, Ceiroco e Castanheira da Serra.
Mais de 40 horas depois do fogo ter deflagrado na freguesia de Piódão, Arganil, devido a uma descarga elétrica provocada por uma trovoada seca, os autarcas de Arganil e de Oliveira do Hospital alertavam para as escassez de meios a operar.
«Hoje [ontem] foi um problema. Tivemos claramente menos meios», adiantou ao Diário de Coimbra Luís Paulo Costa, revelando que, «houve uma janela de oportunidade» para enfrentar as chamas, a determinado momento, que não foi aproveitada.
Por volta das 16h30, Francisco Rolo dava conta, em entrevista ao nosso jornal, que a grande preocupação, naquele momento, era a vertente do vale do Alvoco das Várzeas, «nomeadamente Parente e Avelar».
«O nosso apelo é que seja feito o ataque com meios aéreos. Durante a manhã, tivemos sete meios aéreos, mais um helicóptero de vigilância e coordenação. Foram feitas descargas durante a manhã. A verdade é que as temperaturas estão elevadas, há um grau de humidade zero. Os bombeiros há vários dias que estão no terreno, estão com vários posicionamentos. A expectativa é que hoje se tente controlar o incêndio, sabendo que estamos numa zona íngreme, de difícil acesso e não é fácil combater aqui o incêndio», sublinhou.
Menos de duas horas depois, o autarca de Oliveira do Hospital falava à Agência Lusa do «caos» instalado em Alvoco das Várzea, pela falta de bombeiros e meios aéreos. Isto numa altura em que o fogo ameaçava atravessar o rio Alvoco, à semelhança do que aconteceu nos incêndios de 2017.
E o que Francisco Rolo temia, aconteceu mesmo por volta das 18h00, numa altura em que o vento soprava com maior intensidade.
«É uma tragédia. Tinha fé que o fogo não passasse aqui para este lado», adiantava Guilherme Madeira, a acompanhar o avanço das chamas no miradouro de Alvoco das Várzeas. «Acredito que vai ser travado, o problema é que o vento mudou outra vez», frisou.
Nas proximidades da ponte romana de Alvoco das Várzeas viveram-se momento de aflição com os populares a “regarem” as habitações com mangueiras com as memórias de 2027 ainda bem vivas.
Nos campos agrícolas nas margens do rio Alvoco, também não se pouparam esforços para apagar as chamas, evitando que chegassem às casas.
«Em 2017, o fogo entrou por aqui e foi ter à aldeia. Era imperiosa a presença de um carro de bombeiros aqui para não deixar passar. Se ele passa, ardeu. É uma aldeia inteira que está em causa. Eu moro no centro e, em 2017, chegou lá o fogo», disse um morador, enquanto ajudava no combate com os meios possíveis.
«Em segundos, isto foi o caos», sublinhava também uma popular, num dos momentos mais críticos da tarde.
De quarta para quinta-feira, no concelho de Oliveira de Hospital, houve necessidade de aconselhar pessoas a abandonarem as suas aldeias por questões de precaução. Segundo Francisco Rolo, foram “retiradas” cerca de 40 populares de Chão do Sobral, Parente ou Avelar, acolhidas, depois, no pavilhão da Escola Básica da Ponte das Três Entradas.
Ana Miguel, residente em Lisboa, mas a passar férias em Avelar, passou o dia no espaço de acolhimento das Ponte das Três Entradas e com ela levou a sua cadela. Ao Diário de Coimbra contou que, aquando os incêndios de 2017 não estava na aldeia, pelo que não viveu in loco, a aflição de ter as chamas por perto.
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