
Semide quer que os sinos na torre do Mosteiro voltem a tocar
Em 1896 morria, no Mosteiro de Santa Maria de Semide, Miranda do Corvo, a sua última moradora, freira, colocando fim a uma era no espaço religioso. Dez anos passados, em 1906, e eis que a Igreja do Mosteiro de Semide passou a ser paroquial, ali se realizando as cerimónias religiosas comuns. O povo, ainda assim, uniu esforços para construir uma torre sineira onde sinos de bronze davam as horas e o toque para as diferentes cerimónias religiosas. Assim foi, até há cerca de 30 anos, quando, por questões de segurança, os sinos se “calaram”.
«As condições em que os sinos estavam não permitiam que continuassem a tocar», explica o padre Pedro Miranda, referindo a falta de condições de segurança, nomeadamente ao nível dos cabeçalhos dos dois sinos que foram na altura adquiridos pelos paroquianos e de um terceiro sino que já vinha do tempo das monjas.
Na altura, e colmatando a existência de sinos “verdadeiros”, foi instalado um relógio eletrónico que reproduz som de sinos amplificados. «Funciona, mas não é um sino verdadeiro», comenta o padre Pedro Miranda.

O objetivo agora é que os sinos voltem a dobrar e é nesse sentido que decorre a campanha de angariação de fundos. «Eu e a Fábrica da Igreja, bem como um número crescente de paroquianos aderentes à ideia, passámos a acreditar que sim, é possível». O objetivo é um só: que os sinos voltem a tocar. «É honrar a memória dos antepassados que se viram responsabilizados pela igreja paroquial», acrescenta o pároco.
A Fábrica da Igreja lançou, por isso, um folheto onde apela à ajuda da população. Esse folheto já foi distribuído pelas casas, num trabalho que começou em janeiro, e vai prosseguir, com o objetivo de chegar aos oito mil euros, o valor estimado para a obra de recuperação dos sinos. «Não estamos longe e acredito que vamos conseguir», comenta Pedro Miranda, convicto que depois da obra feita e dos sinos em atividade muitas outras pessoas venham a querer ajudar.
"Se cada um der o que puder, pouco ou mais do que pouco, certamente reuniremos o necessário para recuperar este património legado pelas gerações anteriores e tão inscrito na nossa identidade cristã", apela Pedro Miranda
Um dos sinos precisa de um trabalho de restauro um pouco mais profundo, tendo em conta o seu estado de degradação, já os dois outros necessitam de trabalhos mais ao nível do cabeçalho, prevendo-se também a instalação de maquinaria que permita que os sinos possam ser acionados mecanicamente ou manualmente. Pedro Miranda explica ainda que, exceto o trabalho de restauro mais profundo, a obra pode ser realizada no local.
Sem datas previstas para a realização da obra e a sua inauguração, o pároco não esconde o seu desejo de ter tudo pronto «até ao final do ano». Mas por agora são precisos os apoios e quem ajudar pode dar o seu apoio através de transferência para a conta PT50 0018 0000 3622 9295 0011 3, com a referência “sinos” na descrição.











