
Voluntários reconstroem casas para mudar vidas
O combate à pobreza habitacional é o que move a associação Just a Change que, desde 2010, percorre municípios de norte a sul do país, transformando vidas, através de melhorias nas habitações que, por muito pequenas que sejam, podem ser fundamentais para quem delas usufrui. E desengane-se quem pensa que se trata apenas de mudar mobiliário, remendar telhados ou trocar azulejos. As obras que os voluntários da Just a Change têm vindo a executar são muito mais profundas e colocam a descoberto a pobreza habitacional que ainda existe em Portugal. Há quem não tenha eletricidade nem água canalizada, há quem não tenha casa de banho. E tal sucede, a título de exemplo, nas habitações que os jovens voluntários andam por estes dias a reabilitar no concelho de Góis.
São três casas na freguesia de Vila Nova do Ceira, sinalizadas em articulação com a Câmara Municipal de Góis, que 18 jovens voluntários, uma equipa diretiva de cinco pessoas da associação e dois técnicos, andam, por estes dias, a reabilitar, num trabalho intenso de duas semanas que agora chega ao fim. São, explica Mariana Borges, da Just a Change, dois novos telhados, duas casas de banho construídas de raiz em duas casas que não tinham, eletricidade e canalização de raiz numa habitação, bem como obras de melhoria da eficiência energética nas casas intervencionadas. «Muitas vezes são pessoas sem telhado, sem eletricidade, que vivem mesmo ao nosso lado», comenta Mariana Borges, admitindo que ao longo destes anos tem visto «muita pobreza escondida» por onde tem passado mas o resultado, depois da passagem dos voluntários, é muito gratificante.
Desde 2010 que a Just a Change procura ajudar a inverter o panorama da pobreza habitacional em Portugal
Os «beneficiários», como lhes chamam a associação, são participantes ativos em todo o processo e, no final, a satisfação de quem tem casa renovada é visível. «Os moradores, os nosso beneficiários, fazem parte de todo este processo, mantêm muito contacto com os voluntários durante a obra e no final fica o sentimento de gratidão e de apoio, porque para muitos isto é quase uma mudança de vida», explica.
No caso de Vila Nova do Ceira, os trabalhos estão na reta final e a expectativa é que as obras executadas possam contribuir para uma melhor vida. Mais ainda, «acreditamos a casa funciona como ponto de partida para mudar a vida destas pessoas», diz Mariana Borges, frisando que a identidade dos beneficiários é mantida anónima, para garantir a sua privacidade.
Desde 2010 que a Just a Change procura ajudar a inverter o panorama da pobreza habitacional em Portugal. Em 15 anos, a associação procedeu a intervenções em mais de 500 casas e 200 instituições sociais, de norte a sul do país, com a fundamental ajuda de mais de 26 mil voluntários nacionais e estrangeiros, entre independentes e corporativos. «Já mudamos a vida de mais de 14 mil beneficiários», sintetiza Mariana Borges.|
Municípios sinalizam carências habitacionais
O envolvimento dos municípios é fundamental para que todo o processo se desenrole. Góis entra nesta rede pela primeira vez, mas a responsável da associação frisa que há municípios que estão envolvidos desde a primeira hora, sinalizando as habitações onde urge proceder a algum tipo de intervenção para melhorar a qualidade de vida dos seus moradores. «A avaliação tem em conta o estado da casa, a situação económico-financeira dos moradores e o impacto que a obra pode ter na mudança da qualidade de vida destas pessoas», explica a responsável. O passo seguinte passa por uma visita de campo com técnicos de obra, profissionais que, depois, já durante o campo de trabalho, procedem a todo o acompanhamento dos voluntários.
Os beneficiários, de acordo com Mariana Borges, são, geralmente, «pessoas de mais idade, que vivem sós ou em casal, que muitas vezes trabalharam uma vida inteiras e chegam a esta idade e não têm nada nem meios para ter uma casa». |












