
Casa de Coimbra em Lisboa estreou-se com exposição de artes
Não chegou aos dias de hoje a associação fundada a 28 de fevereiro de 1937 para congregar e dar apoio aos conimbricenses residentes em Lisboa, inspirada no movimento que, na primeira metade do século passado, levou à criação na capital de casas regionais de muitas outras terras do país.
A ideia da Casa de Coimbra em Lisboa teve como principal mentor Fernando Falcão Machado (1904-1993), que fora redator do Diário de Coimbra, professor do Liceu José Falcão e, já a viver na capital, exercia funções docentes no Instituto de Orientação Profissional.
Destinada a «trabalhar por Coimbra e para Coimbra e sua região», a nova coletividade, que se queria independente de outras instituições congéneres, nomeadamente da Casa das Beiras em Lisboa, deparou-se desde logo com a dificuldade de encontrar instalações próprias, ficando a sede a funcionar provisoriamente em casa do presidente da comissão diretiva, capitão Gervásio de Sousa, na Rua do Barão. Também às relações pessoais dos seus promotores se deveu a cedência do espaço, numa das salas da Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro, para as duas reuniões (a 14 e a 28 de fevereiro) que deram corpo à ideia de constituir a Casa de Coimbra em Lisboa, assumindo-se como primeiros dirigentes Gervásio de Sousa, Falcão Machado, Mário Brito, Francisco Mendes Alcântara, Octávio César Craveiro, Pedro Ferreira de Andrade, Augusto Ferreira Feio, Guilherme Moura Vieira, António Tavares, Teolindo Trindade e Francisco Augusto Lourenço.
Do mesmo modo, o jornal O Século facultou várias salas do Palácio dos Viscondes de Lançada, onde se encontrava instalado, para acolher a primeira iniciativa da recém-criada casa regional. A Exposição das Artes Coimbrãs foi ali solenemente inaugurada na tarde de 22 de junho de 1937 pelo Presidente da República, Óscar Carmona, com a presença também dos ministros Carneiro Pacheco (Educação Nacional) e Manuel Rodrigues (Justiça), do governador civil e do presidente da Câmara de Coimbra, entre muitas outras entidades.
«Pelos salões de O Século passaram, ontem, muitas centenas de pessoas que se quedaram embevecidas ante as maravilhas que esta primeira exposição coletiva da arte coimbrã veio trazer a Lisboa e a capital soube apreciar com carinho os artistas de Coimbra», relatou na edição de 24 de junho o nosso jornal, que desde a primeira hora acompanhou a atividade da nova associação regionalista.
Complementada por um ciclo de conferências, a exposição, segundo informou o Diário de Coimbra, deu a conhecer aos numerosos visitantes da capital, até 7 de julho, obras de «pintura a óleo, aguarela e pastel, desenhos, escultura, fotografias, caricaturas, olaria popular, estatuária cerâmica, serralharia e marcenaria», de nomes como «Fausto Gonçalves, António Vitorino, José Contente, Saul d'Almeida, Adriano Costa, Pedro Olaio, rev. Augusto Nunes Pereira, Carlos Ramos, Teixeira de Queiroz e Américo Diniz», além de «trabalhos dos estudantes do Salão Académico e de alunos da Escola Brotero».











