
Filarmónica Lorvanense “há muito deixou de ser apenas a banda”
Aos 105 anos de atividade ininterrupta, a Filarmónica Boa Vontade Lorvanense «há muito deixou de ser apenas a banda».
É, de acordo com o presidente da direção da associação, «família e casa de famílias de muitos», espaço «de música», mas também a instituição que, no concelho de Penacova, torna possível, juntamente com o Município, o funcionamento da Escola de Artes.
«É a entidade titular da Escola de Artes de Penacova, escola oficial de ensino artístico, que tem a seu cargo mais de uma centena de alunos, que tem crescido continuamente», afirmou Mauro Carpinteiro, na sessão solene que assinalou, na noite de sexta-feira, os 105 anos desta associação de Lorvão, do concelho de Penacova.
Certo de que a filarmónica «tem dado um contributo inestimável para o desenvolvimento cultural do concelho», Mauro Carpinteiro garante também que a banda «é hoje respeitada e elogiada pelo trabalho importante que faz».
Numa sessão que contou com a apresentação de uma pequena obra com a história da banda, Mauro Carpinteiro destacou, em particular, os últimos anos da coletividade, em que o crescimento e as mudanças foram assinaláveis, depois de um período de «enormes ameaças».
«Basta pensar que em 2019 praticamente tinha cessado a formação de novos músicos para as fileiras da banda e que logo a seguir veio a pandemia», recordou.
Hoje, o cenário é muito diferente, porque a coletividade fez por levar a escola de música da banda às crianças «ao invés de aguardar que fossem as crianças e os pais a procurar a escola de música».
E como resultado dessa estratégia, a filarmónica em poucos anos passou de pouco mais de duas dezenas de músicos para cerca de 50.
A par do rejuvenescimento e crescimento ao nível dos executantes, foi também construída “casa nova” para a filarmónica, uma nova sede inaugurada em maio e que resulta de uma profunda obra de requalificação das anteriores instalações, possível através de uma candidatura ao Programa PDR2020, da ADELO.
«Um salto qualitativo enorme a nível de instalações e condições de trabalho», resumiu o presidente da direção.
Álvaro Coimbra, presidente da Câmara de Penacova, destacou o «relevante» papel da Filarmónica Boa Vontade Lorvanense na comunidade, não só pelo «ensino da música», mas também porque se trata de uma instituição que «preserva tradições e identidade» e leva mais longe o nome de Lorvão e do concelho de Penacova. Ao destacar a «marca identitária muito forte» da banda, o autarca considerou que tal se deve «à forma apaixonada e dedicada» de músicos, dirigentes e maestros.
David Nunes, atual maestro da banda desde 2020, destacou o trabalho intenso que tem vindo a ser desenvolvido e que está a dar frutos. «Hoje somos perto de 50, hoje felizmente estamos nesta casa, mantendo o que de bom foi feito e tentando inovar com algumas coisas», afirmou.
Instituição com história
As comemorações dos 105 anos da Filarmónica Boa Vontade Lorvansense incluíram o lançamento de uma pequena obra sobre a instituição, da autoria de David Almeida que, na sessão solene, fez um resumo da história que começou a ser desenhada pela necessidade de música sentida pela população para animar as festas do Santíssimo.
Desde então, a filarmónica fez o seu percurso que já leva mais de um século. «Uma coletividade com história e com muitas histórias», resumiu o autor.










