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República dos Inkas em risco num edifício com telhado a cair

A República de estudantes localizada na Rua da Matemática apresenta danos estruturais graves no telhado. Residentes receiam que a situação piore com a chegada do mau tempo e condenam a “inação do senhorio”

A República dos Inkas, localizada na Rua da Matemática, no coração da Alta de Coimbra, está em risco devido aos graves danos em partes estruturantes do edifício, mais propriamente no telhado que já deu sinais de poder vir a ruir, colocando em risco a segurança daqueles que ali habitam.

Num email enviado ao Diário de Coimbra, os residentes desta histórica República dão conta deste problema que se tem vindo a prolongar no tempo e vem piorando com a falta de obras importantes - que não se executam desde os anos 90 - e essenciais para manter o edifício com condições de habitabilidade.

 

"A nossa própria sobrevivência enquanto instituição e como património está seriamente posta em causa", afirmam no email enviado

No mesmo email dão conta que esta situação se deve à «inação do atual senhorio», que adquiriu o imóvel em 2020.

A realização de obras estruturais deste edifício seriam da responsabilidade do senhorio, contudo, os residentes sublinham que este «não se encontra disponível para assumir a sua responsabilidade», nomeadamente, na execução de obras que poderiam assegurar a segurança de um edifício com largas dezenas de anos e que se localiza numa zona histórica da cidade. Segundo uma antiga residente, os habitantes da República dos Inkas apenas habitam o rés-do-chão, sendo que o piso 1 e as águas furtadas se «encontram completamente devolutas».

Em fotografias enviadas pelos residentes desta República é possível ver exatamente as condições degradantes do edifício, nomeadamente nas águas furtadas, tornando quase inabitáveis algumas divisões do prédio. Com rachaduras nas paredes e partes do tecto que acabaram por ruir o estado do edificado poderá vir a degradar-se ainda mais no próximo outono e inverno. «Já tivemos pareceres de três empresas que nos afirmam que o telhado não irá aguentar as próximas chuvas», lamenta a antiga residente, em conversa com o Diário de Coimbra.

Com parte do tecto colapsado e sinais visíveis de degradação, os residentes atuais da República dos Inkas temem pela sua segurança, mas também pela segurança dos edifícios contíguos, assim como dos que ali habitam.

«De momento, a estrutura do nosso edifício encontra-se extremamente fragilizada, correndo um risco iminente de desabar já este ano com a próxima época de chuvas», asseguram.

Face a esta situação que dizem ser de «extrema gravidade» e a falta de ação por parte do senhorio para executar obras fundamentais para manter a estrutura do prédio, avançaram com um «processo de obras coercivas junto da Câmara Municipal de Coimbra», mas ainda não obtiveram qualquer resposta, garantem.

Fundada em 1954, a República dos Inkas está sediada no mesmo edifício há cerca de 70 anos e a sua longa tradição e atividade em «momentos cruciais da história da cidade e do país» levaram esta República a ser reconhecida, em 2018, como Entidade de Interesse Histórico e Cultural e Social pela Câmara Municipal, assim como já era reconhecida como Património Mundial e Imaterial da UNESCO.

Julho 26, 2025 . 08:45

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