
Espólio de António de Vasconcelos na posse da Confraria da Rainha Santa
Apontamentos, livros, registos pessoais ou diplomas, um dos quais com um cunho de prata, fazem parte do espólio de António de Vasconcelos, que foi doado à Confraria da Rainha Santa Isabel para, em breve, ser divulgado publicamente.
O agradecimento público por esta doação decorreu ontem à tarde nos claustros do Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, onde marcaram presença os herdeiros de Abel Araújo, a quem António de Vasconcelos havia doado o espólio que foi criando ao longo de anos ou não fosse ele «um dos maiores estudiosos da obra, vida e santidade da padroeira» de Coimbra.
«Vamos, agora, compilar, catalogar e depois, porventura, far-se-á uma exposição», explicou Joaquim Costa e Nora. presidente da Confraria Rainha Santa Isabel, fazendo um agradecimento à família de Abel Araújo, que sucedeu a António de Vasconcelos na liderança da confraria (interinamente, entre os dois, o bispo D. António Antunes presidiu a confraria).
Ao revelar uma amostra do que a família Abel Araújo tinha em sua posse, Costa e Nora recordou que António de Vasconcelos foi presidente da Confraria Rainha Santa Isabel «nas famosas festas de 1936, em que houve quatro procissões».
O momento simbólico da doação aconteceu precisamente no dia em que se assinalaram os 700 anos da chegada de Isabel de Aragão a Santiago de Compostela.
Depois de lançar a medalha dos 400 anos da canonização, a confraria apresentou, ontem, a medalha dos 700 anos da peregrinação, criada pela Medalhística Lusatenas e inspirada «numa imagem que está na Universidade, em que a Rainha Santa surge com o bordão de peregrina», explica Joaquim Costa e Nora.
Com um diâmetro de 90 milímetros, a medalha em bronze está disponível para venda na loja do Mosteiro de Santa Clara-a-Nova.
No âmbito do lançamento da medalha comemorativa, a historiadora Maria José de Azevedo Santos, que também é confreira da Rainha Santa, leu a cópia de um manuscrito do século XIV, de autoria do frei Salvado Martins, «grande amigo» de Isabel de Aragão, que, «deu voz ao que, provavelmente, viu». «Chamou-lhe romeira e não peregrina», salientou a antiga professora da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.
Maria José de Azevedo Santos lembrou ainda que, no século XV, Rui de Pina, falou de uma segunda peregrinação da Rainha Santa a Santiago de Compostela, «um ano antes de morrer». Para a historiadora, não há dúvidas de que se trata de ficção e que a única peregrinação aconteceu em 1325.
Recorde-se que as comemorações dos 400 anos da canonização da Rainha Santa Isabel e os 700 da peregrinação se prolongam até 2026 com diversos momentos, entre os quais uma peregrinação a Santiago de Compostela organizada pela Confraria, destacou Joaquim Costa e Nora.











