
Reitor teme que novo RJIES vá “esfrangalhar” ensino
O reitor da Universidade de Coimbra teme que a revisão do Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior (RJIES) vá «esfrangalhar» o sistema. Na tomada de posse de quatro professores catedráticos da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC), Amílcar Falcão revelou «muita preocupação», considerando que «o formato não traz nada de bom, nem para o ensino superior, nem para a ciência».
«É a minha opinião pessoal, que eu exprimo em local próprio. É o que é e nós temos que nos adaptar. O mundo mudou, está a mudar, vai continuar a mudar, a uma velocidade cada vez maior e cabe-nos a nós, comunidade académica, com maior responsabilidade dos professores catedráticos, estar atentos, estar ativos e trabalhar para acompanhar essas mudanças e tanto quanto possível antecipá-las», salientou Amílcar Falcão.
O que pede à comunidade académica é que «pense um bocadinho sobre o regime jurídico» e dê a sua opinião.
"É a minha opinião pessoal, que eu exprimo em local próprio. É o que é e nós temos que nos adaptar."
Com duas propostas conhecidas para o novo RJIES - a do Governo e a do PS -, o reitor da UC alertou ainda para o facto de, na atualidade, a inteligência artificial estar «a crescer para coisas que não são as mais interessantes».
«Se olharmos à volta, a inteligência artificial não está a ser controlada pelas universidades, está a ser controlada por privados e isso é muito preocupante, porque quando as universidades não são a linha da frente da investigação e da inovação, alguma coisa está a funcionar mal no sistema», criticou o reitor da UC, salientando que o investimento que vai sendo feito por causa das guerras «é tão grande» que a universidade «tem dificuldade em acompanhar».
Segundo Amílcar Falcão, «o conhecimento, hoje, já está quatro ou cinco anos à frente do que nós sentimos e vemos e isso é preocupante». «As universidades deveriam estar a acompanhar esses quatro ou cinco anos e antecipar o futuro. Estamos a ser arrastados por esse futuro e, muitas vezes, nem sabendo muito bem qual a melhor forma de nos mexermos no meio desse problema que está criado», acrescentou.
Desequilíbrio de género no topo da carreira
Na cerimónia em que tomaram posse Maria de Lurdes dos Anjos Craveiro, Ana Alexandra Ribeiro Luís, Frederico Maria Bio Lourenço e Ana Teresa Fernandes Peixinho de Cristo, Amílcar Falcão lembrou que, na UC, ainda se verifica «um desequilíbrio de género no topo da carreira». No entanto, acrescentou, é um indicador «que não se resolve por decreto, demora tempo».
Docente na FLUC desde 2001, Ana Teresa Peixinho salientou que o subfinanciamento é um problema crónico do ensino superior e da ciência em Portugal. «Tem afetado profundamente o funcionamento das universidades, impossibilitando, por exemplo, que outros com igual ou superior mérito perfaçam a regular ascensão nas suas carreiras», adiantou.
Lurdes Craveiro alertou para as dificuldades da carreira docente, considerando-a «uma travessia estimulante», mas condicionada à «asfixiante escassez de recursos humanos, o excesso das obrigações administrativas e burocráticas e as dificuldades na progressão das carreiras», que fazem dela «um lugar de não escolha, um recurso para quem não tem opção».
Por sua vez, Ana Luís, que se dedicou em particular à linguística, realçou que «ser professora catedrática é um cargo que implica dever, o primeiro dos quais passa por imaginar caminhos novos para o papel social e crítico que cabe à Universidade», enquanto Frederico Lourenço recordou que o seu fascínio pela UC nasceu quando foi caloiro...na Universidade de Lisboa e descobriu livros e artigos de Helena da Rocha Pereira.
«O facto de tomar posse como catedrático no ano em que vamos celebrar o centenário de Helena da Rocha Pereira é para mim a mais feliz das coincidências, referiu.











