
Aprender a fazer um cordofone na associação Mus.Mus.Cbr
Numa oficina do Colégio da Graça, em plena rua da Sofia, onde funciona a Associação Cultural Museu da Música de Coimbra (Mus.Mus.Cbr), pequenos pedaços de madeira ganham forma de instrumentos musicais e cordas devidamente colocadas fazem sair o som como se pretende. Dali saem guitarras de Coimbra, bandolins, violinos, guitarrinhos e outros instrumentos musicais de cordas, construídos ou reconstruídos nas oficinas que a associação tem em funcionamento e para as quais há tantos interessados que formam lista de espera.
«Felizmente ou infelizmente temos lista de espera, não temos capacidade para a procura, mas isso já é um sintoma que algo de bom aqui se passa», diz Eduardo Loio, presidente da associação que desenvolve atividades de investigação, conservação, restauro e valorização de instrumentos musicais ou outros objetos ligados à música, com foco muito especial nos instrumentos mais característicos da cidade.
"Felizmente ou infelizmente temos lista de espera, não temos capacidade para a procura, mas isso já é um sintoma que algo de bom aqui se passa", disse o presidente
O que de «bom» se passa naquela espaço é a Escola de Construção de Cordofones e o Laboratório de Conservação e Restauro de Instrumentos Musicais, frequentadas por pessoas das mais variadas proveniências e com objetivos distintos.
Se os músicos – em grande número – procuram as oficinas para fins profissionais, construindo o seu próprio instrumento, há outros alunos que encontram nas oficinas uma terapia ocupacional.
Biólogo de profissão, doutorado em microbiologia, Hugo Paiva de Carvalho assume um interesse particular pelas madeiras e em perceber de que forma obras de arte em madeira entram em processo der degradação devido à presença de fungos. O seu interesse – e porque também toca guitarra de Coimbra – levou-o a frequentar a oficina de construção de cordofones onde dá forma a um guitarrinho. «É um projeto muito interessante», comenta, reconhecendo o gosto que lhe dá «trabalhar em coisas pequenas» e ver como de um pedaço de madeira nasce um instrumento.
Mais velha, Gracinda Matos aproveita a reforma e concentra-se na construção de um cavaquinho para a neta, mas já construiu dois guitarrinhos e uma guitarra clássica.
«Um amigo desafiou-me e eu como gosto de trabalhos manuais vim e adoro», afirma.

Num outro ponto da oficina, e oriundo de bem longe – Ponte da Barca – Luís Freitas desloca-se a Coimbra às sextas para participar na oficina. «Esta é uma rabeca chuleira, nome que se dava ao violino em Portugal no século XX. Tem o braço mais curto e o corpo mais achatado. Tem o som mais agudo», explica, mostrando o instrumento que tem vindo a construir, assumindo que sempre andou «metido na construção de instrumentos» e na escola da associação de Coimbra juntou «o útil ao agradável».
Eduardo Loio garante que quem constrói um instrumento musical passa a vê-lo de forma diferente porque passa a ter «conhecimento de causa». Mais ainda, diz que qualquer atividade manual pode dar uma sensação terapêutica e de bem-estar, contudo, quem constrói um instrumento musical vê essa sensação ampliada porque o objeto que está a construir numa arte «vai ser a base de uma outra arte, que é a música».
Aos interessados em participar é requerida alguma paciência, tendo em conta a lista de espera. «A inscrição é virem conhecer o espaço, falar connosco, dizer quais são as motivações», explica Eduardo Loio.












