Um País de Poetas
Acontecem coisas na política portuguesa que nunca entenderei e que são mais do mundo da poesia do que da vida real. Por exemplo: o governo da AD está a recorrer a extremos para aprovar à pressa na Assembleia da República a redução do IRS para, dizem, dinamizar a economia na segunda metade do ano. Aquilo que não compreendo é que o governo acredite que uma redução de impostos da ordem dos 450 milhões de euros, faça com que os portugueses vão a correr investir esse dinheiro, ou que seja esse o factor que pode fazer crescer a economia, quando valores muito mais elevados do PRR em investimentos anteriores não têm conseguido evitar um crescimento anémico.
Uma segunda incompreensão da minha parte resulta do silêncio sobre o “Programa Acelerar a Economia”, elaborado pelo anterior ministro Pedro Reis, ou sobre as “Sessenta Medidas”, que ao tempo critiquei por poéticas, ou ainda as razões para a mudança de ministro, ou quais são as ideias do novo ministro para a economia, dado o silencio sobre o assunto desde que o governo tomou posse. Trata-se de uma incompreensão que resulta de considerar que o crescimento da economia é a questão mais importante que este governo de Luís Montenegro tem em mãos.
Num país de poetas não admira que os governos não compreendam tudo isto e não se deem ao trabalhado de fazer umas contas.
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