
Verão a 2 Tempos garante três meses de festa na Baixa
São dezenas de eventos, num total de 92, dispersos pelos mais diversos espaços da Baixa da Cidade. É a arte a interagir com o território, com os residentes, com os comerciantes, com os visitantes. Um projeto com a chancela do Município de Coimbra, concretizado em parceria com entidades locais, fazedores e promotores de cultura. É o Verão a 2 Tempos, uma verdadeira Festa das Artes que durante os próximos três meses promete trazer uma nova vida e atratividade ao Centro Histórico.
Um projeto que nasceu há dois anos e começou, efetivamente, com dois tempos, com dois dias de espetáculo, às sextas e sábado, em dois horários, às 19h00 e às 22h00. Todavia, cresceu em tempo e em “modo” e alongou-se, estreitando parcerias, promovendo sinergias, trazendo a palco outros protagonistas. Manteve-
-se a relação binária, o tempo das artes e o tempo da Baixa. «Tudo o que é apresentado tem uma relação muito forte com o território», sublinha Rafael Nascimento, chefe da Divisão de Cultura da Câmara Municipal, que define o Verão a 2 Tempos como «uma espécie de Festival das Artes na Baixa, durante o Verão».
Um festival que tem subjacentes vários propósitos, que vão muito além da «simples lógica da animação» através das artes e da cultura e, por isso, coloca a arte, os artistas da cidade e a entidades promotoras de cultura como pilares essenciais, parceiros de uma organização que «quer dar palco aos artistas de Coimbra». «Há objetivos no campo da dinamização, animação e vitalidade da Baixa, mas também de dinamizar a criação artística» na cidade, sublinha Rafael Nascimento. «O projeto não é impositivo», salienta, «tem o envolvimento das pessoas da Baixa, numa relação participativa», que envolve moradores, comerciantes e entidades. Uma nota diferenciadora que «trabalha a cultura com sustentabilidade», com o «envolvimento da comunidade», para «criar raízes» e «criar públicos» no território e que não esquece que no Centro Histórico há problemas, designadamente de pobreza e toxicodependência.
O chefe da Divisão da Cultura lembra, ainda, que as associações e os artistas trabalham sobretudo no seu espaço, dentro de casa e o desafio, possível pelo tempo de verão, é precisamente «fazer uma grande festa na rua, no espaço público» e, naturalmente, promover a visitação, convidando, nomeadamente os turistas a descobrirem a Baixa através da arte.
Um projeto onde, à semelhança de outros, a Divisão da Cultura apostou nas «metodologias participativas», chamando um conjunto de entidades, parceiros do projeto. Rafael Nascimento reconhece algumas dificuldades do processo, tendo em conta a «rigidez» de funcionamento da entidade município, mas considera importante «olhar à nossa volta e ver quem está a fazer e o quê» para «enriquecer o projeto». «Foi isso que fizemos», avançando para uma proposta de organização, que envolve a Associação Há Baixa, o Centro de Artes Visuais, a Blue House, o Jazz ao Centro Clube . «São entidades diferentes, que trabalham em disciplinas e áreas diferentes» e cada uma delas, ao trazer «a sua visão da arte à Baixa, torna o projeto mais enriquecedor», daí resultando «um programa muito mais diversificado e completo». «Enquanto cidade, enquanto comunidade ganhamos muito mais» com esta diversidade de linhas curatoriais, conclui.
Sintonia total entre parceiros
«É extremamente importante que a cultura e a programação cultural sejam um veículo para dignificar e vivificar a Baixa e criar uma articulação artística entre quem vive, trabalha e visita a Baixa», considera João Silva, da Blue House, satisfeito com esta co-organização, que «através das artes e da cultura pretende conferir à Baixa uma vida diferente» com o território a participar ativamente nesta intervenção. «É muito importante estarmos todos juntos a trabalhar para oferecer diversidade e qualidade à cidade e a quem nos visita», considera. E não tem dúvidas de que este evento irá funcionar como promotor da visitação, porque «torna a cidade mais interessante no verão, com uma programação cultural muito atrativa».
José Miguel, do Jazz ao Centro Clube, destaca a colaboração, «já habitual» entre as entidades da Baixa, que agora «tem um fôlego e uma implementação muito significativa» com o desafio lançado pelo município para este “abraço” cultural à e na Baixa. «Toda a gente encara esta colaboração de uma forma muito positiva», diz, e garante que este projeto é a prova do «sentido de partilha e colaboração» entre as entidades e os artistas de Coimbra.
«É muito importante a abertura da Câmara a uma co-organização com associações que trabalham na Baixa», considera Catarina Pires, da Associação Há Baixa. «É uma iniciativa de louvar», porque permite «unir esforços, criar sinergias e colaborações propícias para o futuro», adianta. Uma experiência que «já tem sido feita», mas que o Verão a 2 Tempos «permite aprofundar». Igualmente satisfeito, o CAV – Centro de Artes Visuais é, este ano, pela primeira vez parceiro ativo no evento, depois de no ano passado ter sido entidade de acolhimento de alguns projetos. Um convite que vem reforçar «a parceria já existente com as entidades da Baixa» e permitir uma maior proximidade e um entrosamento com a comunidade e com os visitantes, através da memória dos Encontros de Fotografia.
Para continuar a ler este artigo
nosso assinante:
assinante:











