
FOLK Cantanhede foi desde sempre pensado e projetado para a região Centro
Está de regresso mais uma edição do FOLK Cantanhede, que este ano decorre de 5 a 13 de julho. O que pode o público esperar deste evento?
Paulo Marques O FOLK Cantanhede – Semana Internacional de Folclore foi desde sempre um evento pensado e projetado para a região Centro. Logicamente que o caminho se faz caminhando e passadas 18 edições a comunidade e as entidades da região reconhecem o evento como sendo algo de singular, com uma agenda bem atual! No fundo um evento único que dinamiza a região Centro. O público pode esperar um FOLK Cantanhede à altura da importância do evento e daquilo que representa para a região.
Albânia, Argentina, Bulgária, Chéquia, Chile, Colômbia, Costa do Marfim, Costa Rica, Polónia e Ruanda são os países presentes. Espera-se una iniciativa dentro dos mesmos moldes ou vão existir novidades? E as galas manterão o mesmo “desenho”?
Para já confirmar a ausência da Ruanda! Com todos os problemas na obtenção de vistos para a Europa era expectável que um país como Ruanda não conseguisse ultrapassar este constrangimento. No entanto, e porque o FOLK Cantanhede pretende trazer ao festival as culturas mais remotas, não vamos desistir e tentaremos novamente no próximo ano. Ruanda foi entretanto substituído por Índia que também abortou a viagem, ficando assim o lugar preenchido com um grupo proveniente de Espanha.
A estrutura do FOLK Cantanhede não vai mudar significativamente, mas todos os anos há algo de novo a acrescentar. Faz parte do ADN deste evento. Só assim conseguimos que a comunidade fique continuamente ligada ao evento. Para esta edição de 2025 haverá novidades muito interessantes na Gala Internacional Marquês de Marialva, a União das Freguesias de Sepins e Bolho e Freguesia de Ourentã apostaram também num espetáculo de maior dimensão, Ançã, Febres e Tocha mantêm as grandes Galas Internacionais Jaime Cortesão, Terras de Ouro e Nossa Senhora D’Achocha, respetivamente.
O FOLK Cantanhede passará em todas as freguesias de concelho de Cantanhede e ainda em Fonte Angeão, Covão do Lobo e Arazede. O International Folk Puppets – Festival Internacional de Marionetas veio para ficar e este ano vai percorrer os ATL de Cantanhede, Febres, Tocha e Ançã, culminando com dois grandes espetáculos, no Espaço FOLK (antiga Escola Primária), no dia 12 de julho, pelas 11h00 e 16h00. Participam nesta edição a artista Grega Stefania Avraam e a Companhia de Marionetas Bonecos de Santo Aleixo.
Foi fácil voltar a cativar grupos de outros continentes?
A motivação está sempre presente! As difíceis condições económicas dos países e a dificuldade na obtenção de vistos é que dificultam toda esta dinâmica. O rede do CIOFF® Mundial encontra-se a trabalhar arduamente para tentar minimizar estas dificuldades e manter bem firmes os seus objetivos de encontro à promoção do entendimento e paz entre os povos do Mundo.
Mas há muitos que quiseram vir e ficaram de fora...
Sim! Na presente edição estabeleceram contacto com o FOLK Cantanhede cerca de 80 grupos, manifestando interesse na participação. Este facto lisonjeia-nos, pois mostra bem o patamar que o nosso festival se encontra a nível mundial.
O evento está já a “navegar” como estava antes da pandemia e este ano apresenta grupos de 11 países (incluindo Portugal). Há margem para crescimento?
Tal como já referi, há sempre algo de novo todos os anos. A prospetiva da atual Comissão Executiva é que o FOLK Cantanhede poderá desenvolver a sua estrutura até 15 grupos. A experiência e a estrutura física desenvolvida e projetada encontra-se preparada para o efeito. O futuro o dirá!
Por falar em estrutura. A organização do FOLK envolve, além dos membros da Comissão Organizadora (CO) e do Cancioneiro, muitos voluntários. Tem sido difícil angariar voluntários?
A estrutura do FOLK Cantanhede é constituída por uma Comissão Executiva de 15 diretores, internos e externos ao Grupo Folclórico, os elementos ativos do Cancioneiro de Cantanhede e cerca de 60 jovens voluntários, devidamente preparados e formados para nos ajudar a levar a cabo a maior edição do FOLK Cantanhede de sempre.
Falemos de números. Qual o orçamento do evento. E quais os apoios?
O orçamento do FOLK Cantanhede 2025 ronda atualmente os 90 mil euros. O aumento dos preços dos produtos e dos serviços necessários à organização de eventos subiram drasticamente. Alimentação, transportes e serviços técnicos de espetáculos são o exemplo dessa inflação, que ronda os 40%, pós pandemia.
Os apoios nunca são suficientes, mas temos consciência que são os possíveis! Temos neste momento instituições públicas que reconhecem e apoiam o FOLK Cantanhede: Município de Cantanhede, freguesias do concelho de Cantanhede, Turismo Centro de Portugal, Comissão de Coordenação e Desenvolvimento do Centro – Unidade de Cultura, Agrupamento de Escolas Marquês de Marialva, para além dos patrocinadores como Caixa de Crédito Agrícola, Intermarché de Cantanhede, Freixial Shopping, Orima, Stolt Sea Farm, Garagem Estrela, Febauto, Carolina – Otica e Ourivesaria, Centro Médico São Mateus, entre muitos outros apoios particulares.
Por estes dias estarão em Cantanhede a circular cerca de 260 pessoas ligadas aos grupos participantes. E tal como já é tradição a CO promove o FOLK Famílias. Como está a decorrer a adesão para o almoço de sábado, dia 12 de Julho?
As inscrições encontram-se a decorrer a bom ritmo! Pretendemos com esta atividade oferecer a oportunidade da comunidade cantanhedense poder conhecer mais profundamente outras culturas, bem como dar a conhecer os nossos hábitos aos povos que nos visitam. Dito assim pode tornar-se uma irrelevância, mas não é! O espírito de amizade e de confraternização que se desenvolve nesta atividade é muito relevante e deixa-nos a pensar profundamente sobre para onde caminha este nosso mundo, com os inúmeros conflitos armados que se encontram a decorrer!
Na apresentação afirmou que esta edição traz um festival mais “inclusivo”, uma “adição”, disse na altura, que já fazia parte do “ADN da Folk de forma natural”, mas que este ano irá ganhar mais relevo. De que se trata, pode explicar?
Ao longo dos anos o FOLK Cantanhede foi desenvolvendo atividades inclusivas de forma perfeitamente natural. Quase que sentimos a necessidade de as realizar! Refiro-me ao FOLK Solidários, com a envolvência das IPSS do Concelho, a parceria estabelecida com a APPACDM, desde a primeira edição, sempre com a presença de uma atividade desta associação no programa oficial, o Festival Internacional de Marionetas, mais dedicada à faixa etária mais jovem e em 2025 a envolvência das comunidades estrangeiras a residir em Cantanhede, nas atividades do Espaço FOLK. Relembro que no dia do Lançamento do FOLK Cantanhede estiveram presentes representantes das comunidades do Brasil, Índia, Ucrânia e Rússia.
A descentralização do evento é uma aposta para continuar? Quais são as barreiras geográficas do evento?
Para o FOLK Cantanhede não há barreiras! Há dificuldades a ultrapassar. E quando o homem sonha a obra nasce! A Comissão Executiva do FOLK Cantanhede encontra-se em franco rejuvenescimento, com uma enorme vontade de fazer crescer geograficamente e qualitativamente o evento, pelo que o futuro encontra-se assegurado. Vamos em frente!












