
Rua da Sofia e os seus colégios são “desafio” mas também “oportunidades”
Na Rua da Sofia começa e termina (depende da perspetiva) a área de classificação do Bem “Universidade de Coimbra, Alta e Sofia” como Património Mundial da Humanidade da Unesco. Ao longo dos 460 metros de comprimento da artéria estão edificados sete colégios - colégios do Carmo, da Graça, de São Pedro, de São Tomás, de São Bernardo, de São Boaventura e ainda o Colégio das Artes -, hoje em dia com diferentes utilizações e funções, mas com potencialidades múltiplas, nomeadamente ao nível turístico.
Ainda há dias, Luísa Trindade, coordenadora do Plano de Gestão do Bem Classificado Universidade, Alta e Sofia apontava a Rua da Sofia como o principal desafio dos próximos 10 anos. E Francisco Veiga, vice--presidente da Câmara de Coimbra (e responsável pelo pelouro do Turismo) e presidente da Associação RUAS (Recriar a Universidade, Alta e Sofia), concorda em absoluto. «Representa, sem dúvida, um dos maiores desafios, mas também uma das maiores oportunidades, no âmbito da valorização do nosso património classificado», sublinha.
«Trata-se de um espaço com enorme valor simbólico, cultural e histórico, onde se localizam antigos colégios universitários e edifícios de elevado interesse patrimonial e arquitetónico», adianta, ao acrescentar que «o grande desafio reside, precisamente, em devolver à Rua da Sofia uma dinâmica cultural e turística capaz de transmitir, em toda a sua dimensão, o valor histórico e patrimonial que se ergue ao longo desta rua».
É necessário, continua, «investimento, visão estratégica e um esforço conjunto entre a autarquia, a Universidade, proprietários privados e outros agentes locais com responsabilidades na preservação e requalificação do património edificado e área envolvente».
Tudo isto com uma «abordagem integrada, que combine medidas operacionais com um forte compromisso institucional e comunitário».
No ano em que o cluster do Turismo é novidade no Coimbra Invest Summit, que decorre nos dias 2 e 3 de julho, no Convento São Francisco, o presidente da RUAS destaca, precisamente, a mais-valia de «reunir agentes públicos e privados para desenvolver estratégias conjuntas, promover a inovação, atrair inovação, atrair investimento e reforçar a notoriedade, atratividade e competitividade do destino».
Tudo o que é necessário para que os «problemas» da Rua da Sofia deixem de ser o trânsito intenso, imóveis devolutos, habitação em mau estado e descuidados, falta de sinalatética e informação turística, todos eles identificados no Plano de Gestão do Bem Classificado.
«Um dos passos mais relevantes a curto-prazo, é avançar com a proibição da circulação de trânsito automóvel nesta artéria (que deverá avançar após a conclusão das obras do Metrobus), medida que visa não só salvaguardar o edificado classificado e protegê-lo das ameaças e agressões ambientais, mas também devolver ao espaço a vivência pedonal, cultural e turística que merece», sublinha.
Importa, reforça, «gerar consensos duradouros entre todos os proprietários e entidades gestoras, de forma a garantir uma ação concertada que viabilize uma intervenção estruturada e faseada no edificado e zona envolvente, criando condições para abrir o património classificado à visitação e
fruição do público».
Além da reabilitação física do edificado classificado como património mundial, Francisco Veiga defende que «é essencial reforçar a função habitacional da rua, promover a ocupação ativa dos espaços devolutos, e dinamizar iniciativas culturais, educativas e turísticas, criando na comunidade local um sentimento de orgulho, responsabilidade cívica e pertença coletiva».
«Só assim», defende, «será possível devolver à Rua da Sofia a dimensão e o papel central que efetivamente merece, preservando na memória das gerações - presentes e vindouras - este importante legado associado à vivência e tradição universitária».
Criação do cluster do Turismo reconhece importância estratégica do setor
«A criação do cluster do Turismo no Coimbra Invest Summit deste ano vem reconhecer a importância estratégica do Turismo para potenciar o desenvolvimento da economia local
e regional, renovando a aposta neste setor». Quem o diz é Francisco Veiga, com a certeza de que a «cidade reúne todas as condições para se afirmar como um polo turístico sustentável e de qualidade, com uma oferta diversificada que vai do turismo cultural ao académico, ao turismo do bem-estar, passando pela gastronomia, natureza e eventos».
O caminho, continua o vice-presidente do município, é apostar no «trabalho em rede, visão estratégica e investimento privado» para que Coimbra possa «assumir um papel ainda mais relevante no panorama turístico nacional e internacional».
O acolhimento de «grandes eventos», como os concertos dos Coldplay ou dos Guns N’Roses e a estruturação de novos produtos têm sido prioridades, o objetivo seguinte, revela Francisco Veiga, «passa por melhorar a oferta ao nível dos estabelecimentos hoteleiros, atrair investimento e criar condições para o aumento da estadia média».












